sábado, 30 de janeiro de 2010

Bilhete

Ontem te vi andando,
Você parecia diferente e algo nos aguçava o olhar.
Não era o fato de estarmos em uma estação de trem
E sim de que o relógio dela não chamava mais atenção que seu sorriso.
Esperamos o tocar das badaladas do imenso relógio
E lá estava você, esperando para ouví-lo.
Foi sua fábrica quem o produziu, e talvez isso te levasse até lá,
Pelo menos era o que acreditavam todos.
De repente você saiu correndo sobre o grande chão de mármore
e só conseguiamos ver seu reflexo passando por entre a multidão,
Até que o observamos parado frente a bilheteria.
Encantados com seu retorno, você trazia
em uma mão, algo que estava amassado,
e na outra, dois ponteiros de um relógio.
Não te perguntamos o por que, mas fomos com você até o trem
Você estava com algum receio para entrar, e pensamos até mesmo em te pedir para não subir
Mas quando consegui ver seus olhos,
Sem nenhuma dúvida, não havia outra palavra a não ser: Suba
Você pensou, olhou para os ponteiros,
Notou o relógio vazio da estação,
E rapidamente entrou no trem...
Sua cadeira estava lá, separada na janela,
sentou-se, olhou ao redor,
Seus olhos brilharam como nunca e nós sorrimos.
O trem fumaceou o espaço,
você sorriu.
E então,
O relógio que para muitos estava parado, voltou a funcionar,
Agora todos podiam ouvir suas novas badaladas.
O trem apitou,
você mostrou o bilhete amarelo que escondia na mão
E nós, que nunca perdemos o som do velho relógio
Nos levantamos e aplaudimos em pé
O engrenado que na verdade nunca parou,
e que agora possuia belos novos ponteiros...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Alforria

[Leia de forma crescente (de baixo para cima)]

Finalmente posso pensar em falar!
Eles dizem voltei!
Escute, escute os tambores
Ele veio de longe, tocando melodicamente através das correntes
Mas eis que hoje surgiu um som
Tudo era silêncio até então
E como vocês puderam ver
Eu presenciei a cena
Sei que não era agradável
Na verdade, era uma escrava prisão, diferente, mas escravidão
Parecia uma cadeia
Não entendia o encarceramento
Mas estava aqui
Encarcerado até então
Eu estava aqui

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Bafo desabafo

Queria te dizer muitas coisas, mas nunca sei por onde começar! Nem mesmo sei se seria cabível, mas se aqui estou, por que não arriscar?
Seria melhor um início simples com palavras legíveis, mas quanto mais a vontade eu me sentir, melhor será para reconhecer o que queria dizer e não consigo na verba.
Hoje eu precisava de você, precisa de um sorriso que fosse meu, um abraço que fosse meu...
Me recostei num corpo quente esperando afago, obtive por um tempo, meus olhos se molharam, mas não consigui descobrir a profundida do buraco. Não consegui deixar escorrer, ainda me prendo a palavra forte e quando me lembro que ela existe, recorro a palavra medo, que para mim nunca foi aceitável.
Nunca tive a sensação de pular de um prédio, mas talvez seja mais ou menos isso: a tensão da solidão, o peso da sua cabeça e a ansiedade para se livrar de algo que te incomoda. Não, mas acho que mesmo assim não é tão similar, nesta situação ainda existe algo incomum, algo que só quem pula tem, uma experiência só dele!
Queria ter algo só meu, mas nem minha crítica é mais só minha, hoje descobri que me igualo a você, e por isso sua falha é tão mais forte para mim. Me apego ao carinho que tenho pelos outros, e isso mesmo assim não é apenas meu, pois o carinho é dos outros. Ainda fico em dívida comigo.
Não entendo mais nada e gostaria muito de poder compartilhar com você a verdade,
Mas estou muito confuso e neste momento acho que só preciso ter um ombro que seja só meu!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Viagem 21

Hilariamente, falar sobre viagem nos remete a fazer aquela trouxa no lenço de bolinhas e encaixar no bastão... Gostaria muito de estar falando apenas disso, já até me vejo pegando minhas calças, camisetas lisas, tênis, cuecas, meias e adornos, enrolando tudo no lençol que eu mais gosto e colocando no trilho da cortina do meu quarto. Seria tão simples se fosse fácil abrir a porta deste local e sair por ele sem rumo, buscando um "lugar nenhum".
Minhas viagens normalmente nos levam a um "lugar qualquer", buscando apenas chegar a um "nenhum lugar" a partir da sua concepção de viagem. Quero convidá-los a uma viagem diferente, na qual a porta de saída não existe e a mala é simplesmente você!
"Mal/Bem Vindo" a uma tripulação cujo o nome é incerto, o caminho é instável, as armadilhas são inconscientemente conhecidas e os tropeços/degraus te levam a lugares onde ninguém nunca chegou... Mal/Bem Vindo a existência da Vida!