quarta-feira, 26 de maio de 2010

Amplexos

Queria te pedir o convívio do aperto,
dividir contigo o cheiro do meu viver,
que talvez se misturaria com o cheiro do seu perfume.

Só queria estar perto, quando o vento tocasse seu corpo,
e talvez fosse eu, a outra parte do seu, que o vento encontraria.

Talvez seja estranho,
até mesmo incomodo,
mas não conheço ninguém que morreu
por tê-lo tido de ti.

Isso é mais meu,
pois quem sofre sou eu.

Só queria te pedir com palavras vocais,
o que eu sinto nas minhas palavras ocultas.

Ele se encontra como pilar da minha sobrevivência
que hoje esta semibreve cercado
pelas folhas que me rodeiam
e me abraçam,
mas deixam espaço suficiente
para que me faça sentir necessário
aquele que eu não tive
e que é seu,
mas ainda espero que também seja meu
o seu abraço.

sábado, 15 de maio de 2010

Solte-me

Eu tentei, eu juro que tentei, segurei sua mão firme, sorri para seus dias felizes, chorei nos seus dias tristes, mas quando me deparei com os meus, percebi que estava só.
Percebi que meus dias são sempre felizes e tristes, cheios e vazios, brancos e pretos, doces e amargos - crus, sozinhos, acinzentados, vazios e amargos.
Não sei, não entendo sua dor, fraco ser existente em mim, te consolo todos os dias e percebo que aparenta a força de um leão, com a coragem de um rato. A fraqueza da libélula, num voo sem altura. Por que continua então a querer a vida? Por que escolhe resistir em um ser que pede liberdade da prisão, que até agora chora fechado com medo de arrebentar as correntes que o prendem a vida?
Já é hora de soltar, ou ao menos se separar. Por favor, é isso que te peço, ó ser que me perturbas, que me acordar com dor, que me faz chorar na ausência dos outros e ainda sentir culpa pelo ato. Me deixe em paz, é só isso que eu quero, é só isso que eu preciso!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ac(a-u)s(o-a)-dor

Depois daquilo tudo,
me pergunto de quem é a culpa
que fica no meu ser,
dizendo adeus a alegria de te ver bem
pensando que talvez fosse melhor
se a ferida a mim tivesse atingido
e o osso da fratura fosse então meu.

Sei que seria difícil que apenas eu tivesse passado por isso;
não teria como cair sem levar comigo você,
mas era o que eu preferia.

Sinto culpa por ter deixado que acontecesse,
mesmo sabendo que não foi minha culpa - a minha,
mesmo sabendo que eu estava certo
e que talvez nada que eu fizesse poderia evitar,
apenas o acaso,
que a partir de agora
estou engolindo rispidamente.

Queria ter uma ferida aberta pra mostrar,
mas só tenho a hemorragia de uma culpa que existe a tempos
que se tornou viva novamente quando te vi na rua,
quando senti seu joelho inchado
e quando te vi chorando de dor.

Parece injusto dizer isso,
talvez insensível da minha parte,
mas você me conhece e sabe a profundida do que te digo aqui:

Seria mais fácil pra mim
sentir a dor da minha carne correndo pelo asfalto
do que a dor da culpa que estava quieta até então,
mas que há anos estava em mim,
coberta com uma gaze aberta,
mas que Segunda jorrou sangue,
e mesmo não aparecendo pros outros,
me fez chorar por dentro,
beber muita água pra ver se o sal das lágrimas
se misturavam com a insípida deglutição da água,
chegando ao meu estômago mais suavemente,
não me permitindo notá-la.

Talvez o sangue que aqui já secou,
virou uma casca fraca,
e agora eu cutuquei...
tentei soprar respirando fundo,
entender que não fui eu quem te jogou no chão,
mesmo sentindo como se fosse.

Desculpa por isso,
eu não quis...
eu não planejei...
não era pra ser assim...
não fazia parte da minha lógica,
não fazia parte do meu pensamento,
mas agora faz parte do meu sentir...
e dói!