Olhei para a lua viva, límpida e deslumbrante,
quis ligar para os que se importam com isso,
mas a tecnologia falhou comigo.
Repetirei sempre,
mas mesmo que não os tenha por perto, irei sorrir para a lua, e lembrarei de como vocês são importantes para mim.
Sorrisos a mostra, quero ver outras luas, porém se tive-los por perto, será muito melhor.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Ave e peixe
Ainda que eu quisesse cair nas águas para me banhar não poderia, eu como pássaro, vivo no ar, e posso até me banhar, mas não sobreviveria.
Você, peixe, pode me enfeitiçar e, caso eu, tolo, venha a cair novamente em suas astúcias, sentirei falta de ar, ao tentar quebrar as moléculas da água para sobreviver.
Ainda que eu queira muito te ter apenas para mim, sei que você é de água, e vai vazar entre meus dedos, mais composto do que isso, impossível, mais sem forma do que isso, irreal.
O vento é muito frio sem te sentir, porém, você não sobreviveria apenas com o ar, eu até que poderia me banhar várias vezes, mas estaria sacaniando contigo, assim como vem a fazer comigo, porém como pobre mortal, eu me recuso a te retirar da água e te fazer sofrer, mesmo devendo fazê-lo.
Continuarei a planar pelas colinas, para ver se encontro alguma ave que queira ao meu lado estar, cansei de molhar minhas penas, apenas, e não me alimentar se quer de um pedaço de suas escamas.
Você, peixe, pode me enfeitiçar e, caso eu, tolo, venha a cair novamente em suas astúcias, sentirei falta de ar, ao tentar quebrar as moléculas da água para sobreviver.
Ainda que eu queira muito te ter apenas para mim, sei que você é de água, e vai vazar entre meus dedos, mais composto do que isso, impossível, mais sem forma do que isso, irreal.
O vento é muito frio sem te sentir, porém, você não sobreviveria apenas com o ar, eu até que poderia me banhar várias vezes, mas estaria sacaniando contigo, assim como vem a fazer comigo, porém como pobre mortal, eu me recuso a te retirar da água e te fazer sofrer, mesmo devendo fazê-lo.
Continuarei a planar pelas colinas, para ver se encontro alguma ave que queira ao meu lado estar, cansei de molhar minhas penas, apenas, e não me alimentar se quer de um pedaço de suas escamas.
Semibreve teoria do quadrado
No meio de toda esta loucura, fico pensando como seria mais fácil ser um quadrado, daqueles vendados e que não enxerga um palmo a frente do nariz. Porém, dentro de toda esta teoria, só me resta continuar a ser o triângulo que sou, vivendo todos os meus sintomas circulares.
"Porque deve existir uma fôrma? Não se pode encaixar um triângulo numa forma quadrada, muito menos um círculo"
"Porque deve existir uma fôrma? Não se pode encaixar um triângulo numa forma quadrada, muito menos um círculo"
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Contradizendo
Te desprezo pelo meu desejo, pela minha insistência e a minha vontade. Cansei de tentar, cansei de pensar... cansei de você!
É em dias como o de hoje que eu vejo como os inversos são complementares. Gosto tanto de você, que te desprezo hoje com a intensidade igual a que te desejo.
Meu estômago embrulha de pensar, e meus olhos se enrijessem de raiva, de mim, mas que eu projeto para você!
Eu nunca entendo essas coisas de sentimentos, só sei que cansei desse, e parece-me que você o perdeu!
É em dias como o de hoje que eu vejo como os inversos são complementares. Gosto tanto de você, que te desprezo hoje com a intensidade igual a que te desejo.
Meu estômago embrulha de pensar, e meus olhos se enrijessem de raiva, de mim, mas que eu projeto para você!
Eu nunca entendo essas coisas de sentimentos, só sei que cansei desse, e parece-me que você o perdeu!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Qual o sentido?
Que os dias tenham sol e depois se tornem escuros,
assim como os olhos que por um período se abrem para depois fechar por horas.
Qual é a lógica do ferro que dilata quando no calor?
O que tem de bom em fazer cortes na perna para ver o sangue? Em ingerir para ter que eliminar?
Qual o sentido?
Por que o bem tem que ter o mal, e o bom tem que ter o ruim?
Respostas simples sempre são soletradas, porém ninguém nunca soube me explicar, por que algumas coisas são tão boas que podem fazer doer, e por que alguns sentimentos são tão intensos que nos podem fazer sofrer.
Não sei,
apenas me parece que a vida é uma constante distanasia.
E que no fim, tudo terminara como começou, no nada.
Que os dias tenham sol e depois se tornem escuros,
assim como os olhos que por um período se abrem para depois fechar por horas.
Qual é a lógica do ferro que dilata quando no calor?
O que tem de bom em fazer cortes na perna para ver o sangue? Em ingerir para ter que eliminar?
Qual o sentido?
Por que o bem tem que ter o mal, e o bom tem que ter o ruim?
Respostas simples sempre são soletradas, porém ninguém nunca soube me explicar, por que algumas coisas são tão boas que podem fazer doer, e por que alguns sentimentos são tão intensos que nos podem fazer sofrer.
Não sei,
apenas me parece que a vida é uma constante distanasia.
E que no fim, tudo terminara como começou, no nada.
Luta vã
Se pudesse falar com a lua, diria que preciso de força.
Já lutei contra muitas coisas e digamos que insisti, mesmo nas lutas em que fui derrotado.
Lutei contra milagres, dores, alegrias, tristezas, choros, medos, apegos, temores, sorrisos. Lutei contra vidas mal amadas, contra feridas mal curadas, chuvas, curvas e águas turvas.
Já canalizei a água da chuva e criei imensos lagos, já tentei dobrar um rio, e encurtar uma cachoeira. Lutei contra formigueiros, vaga lumes, guerras de barro e até mesmo contra seres surreais. Inventei guerras de bexiga, travesseiro e toalha. Encurtei longos canudos, comi os inimigos de marshmallow, já devorei as frutas que lutavam contra minha fome e já matei animais que invadiram minha casa.
Lutei contra falsos profetas, contra falsos amigos, falsos queridos. Contra miguezeiros, contra interesseiras, contra atormentadoras. Lutei contra o desejo dos outros, contra o meu desejo, contra minhas vontades, contra minhas verdades e até contra meu corpo. Fiz de mim um campo de guerra...
A cada dia uma luta nova é proposta, e eu aceito, mesmo esperando perder.
Me jogo de cabeça, descrevendo inimigos, conhecendo os atritos, enfiando o corpo inteiro e faria muita coisa de novo, enfrentaria as mesmas batalhas, e talvez ganhasse algumas perdidas e perdesse algumas vencidas.
Mas hoje eu me rendo a uma luta em particular, me recuso a enfrentá-la:
Posso lutar contra tudo, mas não contra o amor.
Desculpa.
Já lutei contra muitas coisas e digamos que insisti, mesmo nas lutas em que fui derrotado.
Lutei contra milagres, dores, alegrias, tristezas, choros, medos, apegos, temores, sorrisos. Lutei contra vidas mal amadas, contra feridas mal curadas, chuvas, curvas e águas turvas.
Já canalizei a água da chuva e criei imensos lagos, já tentei dobrar um rio, e encurtar uma cachoeira. Lutei contra formigueiros, vaga lumes, guerras de barro e até mesmo contra seres surreais. Inventei guerras de bexiga, travesseiro e toalha. Encurtei longos canudos, comi os inimigos de marshmallow, já devorei as frutas que lutavam contra minha fome e já matei animais que invadiram minha casa.
Lutei contra falsos profetas, contra falsos amigos, falsos queridos. Contra miguezeiros, contra interesseiras, contra atormentadoras. Lutei contra o desejo dos outros, contra o meu desejo, contra minhas vontades, contra minhas verdades e até contra meu corpo. Fiz de mim um campo de guerra...
A cada dia uma luta nova é proposta, e eu aceito, mesmo esperando perder.
Me jogo de cabeça, descrevendo inimigos, conhecendo os atritos, enfiando o corpo inteiro e faria muita coisa de novo, enfrentaria as mesmas batalhas, e talvez ganhasse algumas perdidas e perdesse algumas vencidas.
Mas hoje eu me rendo a uma luta em particular, me recuso a enfrentá-la:
Posso lutar contra tudo, mas não contra o amor.
Desculpa.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Cruzado invertido
As sensações dos dias e das noites, vão se cruzando com as que passam pelo meu corpo, transformando-me em mais que um simples pedaço de carne, agora um sente-dor.
E as tristezas que antes eu queria que se tornassem cores de alegria, agora quero que sejam como são, e que me façam conhecer também as descobertas dos novos outros sentires.
E as tristezas que antes eu queria que se tornassem cores de alegria, agora quero que sejam como são, e que me façam conhecer também as descobertas dos novos outros sentires.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Orra desejo! rs
As nuvens encobriram o dia, e deixaram-no escuro,
lembrei que antes de dormir eu apago a luz,
desejei o dia inteiro que a noite chegasse logo e eu pudesse enfim
abraçar meu cobertor encostado ao meu travesseiro.
A noite chegou e eu fiquei aqui, sem sono! Merda! rs
lembrei que antes de dormir eu apago a luz,
desejei o dia inteiro que a noite chegasse logo e eu pudesse enfim
abraçar meu cobertor encostado ao meu travesseiro.
A noite chegou e eu fiquei aqui, sem sono! Merda! rs
Carta 3
Queridos,
Tenho vindo aqui como iludido, deixado meus escritos implícitos sobre pessoas as quais não vos quero revelar. Tenho vindo aqui e dito que sofro, que sinto a dor de amores inacabados, de paixões não resolvidas e de sentimentos inesperados. Tenho me debruçado frente a estas letras, como me deleito frente a mim mesmo, deixando nebulosos vossos olhares, tentando tornar claro os meus. Para que me entendam, é preciso viver da minha dor, e talvez isto seja complicado. Não torno possível que muita gente entre em meu mundo, mas sei que todos sabem o que se passa pelos meus caminhares.
Velejei por entre mares assombrados e hoje estou aqui, frente aos monstros que me aterrorizaram. Carrego comigo uma vela, que pouco ilumina, mas que esta servindo para clarear a escuridão que minha iluminação elétrica não me possibilitava. Não digo que hoje viva sem fantasmas, mas digo que estou andando com eles. Apenas não tento esconder meus olhos quando os sinto.
Não quero lamentar mais, pois quem esmola pede, esmola tem, quero ao menos ser sincero com meus sentimentos (sejam dolorosos ou não), sendo insano com os que não querem acreditar.
Já diziam muitos que os caminhos tortuosos levam à salvação (e entendam esta como quiserem). Digo que estou no caminho que me julgo ser reto, digno e leal, porém isso diz respeito apenas a mim. Muitos já fizeram o que podiam para me salvar pelos pontos que acreditam (agradeço por isso), mas eu repito, estou caminhando rumo à minha (apenas minha) salvação. Egoísta ou não, entendam-me como acharem ser leais a seus modos de ver.
Para que me esquartejem os que não acham digna a lealdade de um ser consigo, espero ao menos que terminem de ler isto, para que não falem mal de mim sem antes me questionar sobre os pontos que querem. Não estou preparado para responder muitas coisas, e tenho certeza que nunca vou estar, pois conheci os caminhos da mentira e da verdade, porém escolhi seguir o que nenhum deles me apresentou ou soube responder:
"Entre todos os caminhos que eu podia escolher, decidi pelo que tinha menos pegadas".
Que me entendam os que a mim querem bem, caso contrário, sigam seus caminhos pisoteados.
Tenho vindo aqui como iludido, deixado meus escritos implícitos sobre pessoas as quais não vos quero revelar. Tenho vindo aqui e dito que sofro, que sinto a dor de amores inacabados, de paixões não resolvidas e de sentimentos inesperados. Tenho me debruçado frente a estas letras, como me deleito frente a mim mesmo, deixando nebulosos vossos olhares, tentando tornar claro os meus. Para que me entendam, é preciso viver da minha dor, e talvez isto seja complicado. Não torno possível que muita gente entre em meu mundo, mas sei que todos sabem o que se passa pelos meus caminhares.
Velejei por entre mares assombrados e hoje estou aqui, frente aos monstros que me aterrorizaram. Carrego comigo uma vela, que pouco ilumina, mas que esta servindo para clarear a escuridão que minha iluminação elétrica não me possibilitava. Não digo que hoje viva sem fantasmas, mas digo que estou andando com eles. Apenas não tento esconder meus olhos quando os sinto.
Não quero lamentar mais, pois quem esmola pede, esmola tem, quero ao menos ser sincero com meus sentimentos (sejam dolorosos ou não), sendo insano com os que não querem acreditar.
Já diziam muitos que os caminhos tortuosos levam à salvação (e entendam esta como quiserem). Digo que estou no caminho que me julgo ser reto, digno e leal, porém isso diz respeito apenas a mim. Muitos já fizeram o que podiam para me salvar pelos pontos que acreditam (agradeço por isso), mas eu repito, estou caminhando rumo à minha (apenas minha) salvação. Egoísta ou não, entendam-me como acharem ser leais a seus modos de ver.
Para que me esquartejem os que não acham digna a lealdade de um ser consigo, espero ao menos que terminem de ler isto, para que não falem mal de mim sem antes me questionar sobre os pontos que querem. Não estou preparado para responder muitas coisas, e tenho certeza que nunca vou estar, pois conheci os caminhos da mentira e da verdade, porém escolhi seguir o que nenhum deles me apresentou ou soube responder:
"Entre todos os caminhos que eu podia escolher, decidi pelo que tinha menos pegadas".
Que me entendam os que a mim querem bem, caso contrário, sigam seus caminhos pisoteados.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
De frente
E a gente pensa que vai fugindo,
cada dia mais,
tentando esquecer a dor,
o medo,
a culpa,
e quando percebe,
esta de cara com sua estátua,
ainda carregado de culpa,
dor e tristeza,
porém, o mais perto que poderia estar de você!
cada dia mais,
tentando esquecer a dor,
o medo,
a culpa,
e quando percebe,
esta de cara com sua estátua,
ainda carregado de culpa,
dor e tristeza,
porém, o mais perto que poderia estar de você!
Trocando as palavras
Eu digo que não sinto
e te olho como se odiasse,
te desejo bem longe
assim como o rancor
e não quero que digas "alô"
pois sentirei aquele frio que nunca senti,
e desejarei que você morra logo.
e te olho como se odiasse,
te desejo bem longe
assim como o rancor
e não quero que digas "alô"
pois sentirei aquele frio que nunca senti,
e desejarei que você morra logo.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Em dias de chuva eu continuo a te procurar, insistindo em ver-te, mesmo sabendo que não a encontrarei.
Ó amada lua, quis eu te ter em meus braços, como os amantes da noite buscam as donzelas em apuros. Quis eu te roubar beijos doces envolvidos por seus lábios sedosos, e veja onde estou, perdido de tristeza entre os molhados escarros que destes à mim.
Se ainda não fui digno de ter-te, é porque não estas pronta para dar-me o que preciso de ti.
Revogo meus sentimentos, e digo-te: "estou aqui como herói, pois fui capaz de encontrar-me mesmo entre as nuvens turvas dos seus olhares".
Ó amada lua, quis eu te ter em meus braços, como os amantes da noite buscam as donzelas em apuros. Quis eu te roubar beijos doces envolvidos por seus lábios sedosos, e veja onde estou, perdido de tristeza entre os molhados escarros que destes à mim.
Se ainda não fui digno de ter-te, é porque não estas pronta para dar-me o que preciso de ti.
Revogo meus sentimentos, e digo-te: "estou aqui como herói, pois fui capaz de encontrar-me mesmo entre as nuvens turvas dos seus olhares".
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Viagem 22
...
Hoje o dia começou agitado, peguei minhas malas e fui ao encontro do meu veículo. Não tinha rumo, apenas disse: "leve-me para onde seu farol brilhar", e então comecei a flutuar. Fiquei desesperado, com medo de me desencontrar no escuro do universo, tentando fugir da dor e da tristeza, que me tornavam mais homem, mas que agora ficaram para trás. Adormeci sentindo falta delas, e acordei em um terreno estranho. Não haviam pessoas, nem casas, nem contos nem fadas, existia apenas o nada.
Um espaço oco, vazio, sem buraco, nem montanha, sem luz e sem escuridão. Um lugar diferente, sem riso, nem choro, assim como me dizia a sensação. Eu fiquei pasmo, sem saber o que fazer, perdendo o sentido do mundo, o rumo do meu mundo.
Apertei os olhos com força, muita força, até sintí-los doer, e então resolvi abrí-los. Não podia ser real, resolvi me beliscar e então me fiz roxos, mas não adiantava, eu estava acordado mesmo. Não haviam árvores, mares, casas, carros, tudo, nada existia naquele lugar. Tentei correr, mas não tinha como, não haviam caminhos para me levar de volta ao meu carro, ou trazê-lo até a mim, pois quem correu foi ele, eu apenas mantive-me no mesmo local, estático, tentando me reanimar, como faz o socorrista de uma ambulância frente a um acidente.
Eu apertei minhas calças, e corri em direção a lugar nenhum. Trombei em algo que não via e cai sentado pelo impacto, o chão era passível de toque, mas não tinha cor, ele não era transparente, mas também não era furta cor.
"Eu não sei porque vim parar aqui, pedi para onde seus faróis brilhavam, e você me dá isso? Um lugar sem beira nem eira, nem morto nem vivo, sem tudo nem nada, um lugar... quer dizer, alguma coisa, pois isso não me parece um lugar! Eu estou desapontado, totalmente chateado... móvel-autoinútil." E não deixei que meus olhos ficassem molhados. Meu coração se fechou e ficou como o local, inundado de rancor, tomado de horror, indesenhável. Levantei, limpei-me do falso pó (como se precisasse) e passei a mão para levantar o cabelo.
Escondi meus olhos de mim e senti que algo me puxava para um outro lugar. O vento me desmontou, me senti vazio, sem dúvidas, talvez até sem vida, e por fim, sem nada.
O olhos que nada viam, agora não mais existiam, me fiz perceber que estava então, eu, dentro de mim, dentro do assombroso lugar no qual eu mesmo tentei me colocar, na vida que eu tentei construir. Pensei fundo, respirei alto, e senti uma luz me queimando...
Meu veículo estava vindo, com muita velocidade, prestes a me socorrer e me levar para longe daqui...
calma, é melhor mudar a ultima frase...
Meu veículo estava vindo, com muita velocidade, prestes a me deter e me levar para longe de mim.
Não sei se ainda há tempo, mas acho que minha viagem acabou por aqui.
Só me lembro que acordei na minha cama, frio, sem ar e assustado, o rumo eu já tinha perdido, só restava lembrar, onde eu queria encontrá-lo.
Hoje o dia começou agitado, peguei minhas malas e fui ao encontro do meu veículo. Não tinha rumo, apenas disse: "leve-me para onde seu farol brilhar", e então comecei a flutuar. Fiquei desesperado, com medo de me desencontrar no escuro do universo, tentando fugir da dor e da tristeza, que me tornavam mais homem, mas que agora ficaram para trás. Adormeci sentindo falta delas, e acordei em um terreno estranho. Não haviam pessoas, nem casas, nem contos nem fadas, existia apenas o nada.
Um espaço oco, vazio, sem buraco, nem montanha, sem luz e sem escuridão. Um lugar diferente, sem riso, nem choro, assim como me dizia a sensação. Eu fiquei pasmo, sem saber o que fazer, perdendo o sentido do mundo, o rumo do meu mundo.
Apertei os olhos com força, muita força, até sintí-los doer, e então resolvi abrí-los. Não podia ser real, resolvi me beliscar e então me fiz roxos, mas não adiantava, eu estava acordado mesmo. Não haviam árvores, mares, casas, carros, tudo, nada existia naquele lugar. Tentei correr, mas não tinha como, não haviam caminhos para me levar de volta ao meu carro, ou trazê-lo até a mim, pois quem correu foi ele, eu apenas mantive-me no mesmo local, estático, tentando me reanimar, como faz o socorrista de uma ambulância frente a um acidente.
Eu apertei minhas calças, e corri em direção a lugar nenhum. Trombei em algo que não via e cai sentado pelo impacto, o chão era passível de toque, mas não tinha cor, ele não era transparente, mas também não era furta cor.
"Eu não sei porque vim parar aqui, pedi para onde seus faróis brilhavam, e você me dá isso? Um lugar sem beira nem eira, nem morto nem vivo, sem tudo nem nada, um lugar... quer dizer, alguma coisa, pois isso não me parece um lugar! Eu estou desapontado, totalmente chateado... móvel-autoinútil." E não deixei que meus olhos ficassem molhados. Meu coração se fechou e ficou como o local, inundado de rancor, tomado de horror, indesenhável. Levantei, limpei-me do falso pó (como se precisasse) e passei a mão para levantar o cabelo.
Escondi meus olhos de mim e senti que algo me puxava para um outro lugar. O vento me desmontou, me senti vazio, sem dúvidas, talvez até sem vida, e por fim, sem nada.
O olhos que nada viam, agora não mais existiam, me fiz perceber que estava então, eu, dentro de mim, dentro do assombroso lugar no qual eu mesmo tentei me colocar, na vida que eu tentei construir. Pensei fundo, respirei alto, e senti uma luz me queimando...
Meu veículo estava vindo, com muita velocidade, prestes a me socorrer e me levar para longe daqui...
calma, é melhor mudar a ultima frase...
Meu veículo estava vindo, com muita velocidade, prestes a me deter e me levar para longe de mim.
Não sei se ainda há tempo, mas acho que minha viagem acabou por aqui.
Só me lembro que acordei na minha cama, frio, sem ar e assustado, o rumo eu já tinha perdido, só restava lembrar, onde eu queria encontrá-lo.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Carta ao corpo
Querido corpo,
tive que te deixar sofrer, pois estava com medo de você falecer. Eu tentei muito que isso tudo só gerasse prazer, mas não foi bem assim, te fiz sentir muita dor, e por isso estou te escrevendo. Nunca gostei de te ver tão ferido, mas precisava deixar que você experimentasse o viver.
Sangrar não é bom, eu sei, mas é assim que a gente descobre que existe vida em nós. Parece-lhe estanho não? Alguém como eu, que tanto te quer bem, poderia te deixar assim, em um estado tão demolido? Sim, eu fiz isso, e tudo para você perceber o quanto te desejo bem, o quanto te ter é bom.
Sua caixa toráxica doeu, e eu sei disso, estava ao seu lado e vi seu coração bater mais do que devia. Vi seu corpo transpirar em dias frios e sua perna tremer quando estava andando, mas isso faz parte do gostar, e você precisava reconhecer isso. Você precisava saber como é de verdade.
Agora te apresentei um ângulo só seu, espero que tenha aprendido que o amor também carrega a dor, e que a vida só é sentida se existe o oposto. Aqueles versos que sempre te dizia, mas que nunca desejava que você sentisse, por proteção, mas já estava na hora de te permitir crescer, e não havia momento melhor.
Espero que o sangue que escorreu já tenha se recomposto, pois por fora, meu querido, você já esta novo, e agora só me falta saber que tudo esta funcionando novamente por dentro, para que eu possa me agregar a você, e sair outra vez em busca de um novo viver...
Desculpe, mas eu também não saí ileso dessa,
Abraço.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Responsa
Você me colocou novamente em um lugar no qual eu nunca gostei de estar, sinto raiva de você e isso não é pessoal, muito menos sentimental, mas talvez espacial.
O espaço pode ser repleto de ângulos, e todos os meus, daquela noite, me levam ao lugar no qual me senti, todos, constantemente, me devolvem aquele lugar.
Espaço, tempo, tudo se enquadra, tudo se junta, e eu me vejo como aquele que pode muitas coisas, menos se responsabilizar por. Posso representar os outros, mas não a mim, posso sentir pelo outro, mas não por mim.
Gostaria de jogar aquele pedaço doce em você, mas não por você, e sim pelo vidro que eu gostaria de ter quebrado naquela reunião, pelo telefone que eu gostaria de jogar no chão, não pelos outros, mas para tentar ver se desta forma, alguém me tornaria responsável ao menos por mim e pelo que a mim esta agregado.
Obrigado
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
...
Os dias não são os mesmo quando as cores lhe parecem fracas,
saí sem vida, neutro, e com medo de encontrar o acaso.
Arrisquei não mudar o dia, mas quero que seja novo.
Talvez eu me espante, se encontrar mais gosto neste dia infâme.
saí sem vida, neutro, e com medo de encontrar o acaso.
Arrisquei não mudar o dia, mas quero que seja novo.
Talvez eu me espante, se encontrar mais gosto neste dia infâme.
domingo, 17 de outubro de 2010
Chega de assunto
Um assunto que escorre, deve ser levado pelo ralo.
O sentimento que me sobra, é sempre evacuado.
Por fim se foi a dor de uma coisa ruim...
A água que eu segurei com o guarda-chuvas ao contrário, hoje eu quero deixar escorrer, espero que ele me proteja do "rancor", até quando eu não conseguir mais sobreviver.
E que este se vá junto com a dor, e me deixe em paz pra renascer,
quero de assunto mudar,
e voltar novamente a escrever.
(Finalizo minha série de tristeza, e me nego a sobre a peste escrever,
se eu já cansei dela falar, imagina você, que só vem aqui pra ler!)
O sentimento que me sobra, é sempre evacuado.
Por fim se foi a dor de uma coisa ruim...
A água que eu segurei com o guarda-chuvas ao contrário, hoje eu quero deixar escorrer, espero que ele me proteja do "rancor", até quando eu não conseguir mais sobreviver.
E que este se vá junto com a dor, e me deixe em paz pra renascer,
quero de assunto mudar,
e voltar novamente a escrever.
(Finalizo minha série de tristeza, e me nego a sobre a peste escrever,
se eu já cansei dela falar, imagina você, que só vem aqui pra ler!)
Fração de resto ruim
...
Talvez o problema seja esse, você já saía pra vida enquanto eu ainda brincava de viver!
Não percebo ela quando te olho de perto, mas você sempre faz questão de me lembrar.
Temos tempos diferentes, e esse é um dos pontos: crescemos com uma diferença decimal, mas agora, já somos crescidos. Tivemos brinquedos e video games distintos, mas hoje, nem tanta coisa é diferente assim. Conhecer lugares, pessoas, histórias... isso acontece com o tempo, e como você costuma lembrar: são dez os anos, enfim.
Minha vida sempre foi marcada por essa diferença etária mas isso não precisa ser lembrado aqui de uma forma tão otária. Talvez a grande diferença seja essa... E eu acredito que de todas, ela é a menos válida.
Talvez o problema seja esse, você já saía pra vida enquanto eu ainda brincava de viver!
Não percebo ela quando te olho de perto, mas você sempre faz questão de me lembrar.
Temos tempos diferentes, e esse é um dos pontos: crescemos com uma diferença decimal, mas agora, já somos crescidos. Tivemos brinquedos e video games distintos, mas hoje, nem tanta coisa é diferente assim. Conhecer lugares, pessoas, histórias... isso acontece com o tempo, e como você costuma lembrar: são dez os anos, enfim.
Minha vida sempre foi marcada por essa diferença etária mas isso não precisa ser lembrado aqui de uma forma tão otária. Talvez a grande diferença seja essa... E eu acredito que de todas, ela é a menos válida.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Pensando em fazer alguma coisa
Eu sai na rua em busca da sombra da lua,
caminhei, velejei, naveguei, corri e por fim, sentei-me;
sentei-me por estar cansado, desapontado por não tê-la achado e irritado pela minha insistência que não teve êxito.
Senti que nada mais adiantaria se não apenas ficar sentado, esperando que um outro dia a lua aparecesse e me mostrasse sua companheira.
Adormeci ali, olhando o horizonte negro e sem vida, sentindo a brisa que vinha do além.
Triste, pus-me a chorar em sonho, e acordei com os olhos molhados,
vendo que o vento havia trazido para mim um objeto de valor profundo, incomparável, um que eu já conhecia, mas que há anos tentara esquecer pois este nada havia me mostrado de bom.
Peguei-o e percebi que ele me fazia lembrar histórias "cruéis",
em que o mocinho era eu, e o bruxo também.
Recordei-me dos feitiços que eu mesmo me joguei, e notei como meu corpo havia mudado.
Lembrei que as pedras eu havia escondido e que este saco, estava guardado atrás da minha porta.
Olhei para um céu sem lua, como o de hoje, e tentei encontrar alguém,
sem sentido, pus-me a chorar novamente e não encontrei nenhum abrigo.
Por fim começou a chover e eu pensei em correr para algum lugar,
pensei várias vezes, mas, teria que deixar aquele objeto ali, ficando sem a companhia dele, e então teria que encontrar o saco de pedras que eu lembrei ter escondido e agora não conseguiria passar sem notá-lo todos os dias.
Fechei meus olhos, e escolhi ficar na chuva...
Sem lua, sem sombra, exposto, mas sentindo.
caminhei, velejei, naveguei, corri e por fim, sentei-me;
sentei-me por estar cansado, desapontado por não tê-la achado e irritado pela minha insistência que não teve êxito.
Senti que nada mais adiantaria se não apenas ficar sentado, esperando que um outro dia a lua aparecesse e me mostrasse sua companheira.
Adormeci ali, olhando o horizonte negro e sem vida, sentindo a brisa que vinha do além.
Triste, pus-me a chorar em sonho, e acordei com os olhos molhados,
vendo que o vento havia trazido para mim um objeto de valor profundo, incomparável, um que eu já conhecia, mas que há anos tentara esquecer pois este nada havia me mostrado de bom.
Peguei-o e percebi que ele me fazia lembrar histórias "cruéis",
em que o mocinho era eu, e o bruxo também.
Recordei-me dos feitiços que eu mesmo me joguei, e notei como meu corpo havia mudado.
Lembrei que as pedras eu havia escondido e que este saco, estava guardado atrás da minha porta.
Olhei para um céu sem lua, como o de hoje, e tentei encontrar alguém,
sem sentido, pus-me a chorar novamente e não encontrei nenhum abrigo.
Por fim começou a chover e eu pensei em correr para algum lugar,
pensei várias vezes, mas, teria que deixar aquele objeto ali, ficando sem a companhia dele, e então teria que encontrar o saco de pedras que eu lembrei ter escondido e agora não conseguiria passar sem notá-lo todos os dias.
Fechei meus olhos, e escolhi ficar na chuva...
Sem lua, sem sombra, exposto, mas sentindo.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
As janelas
Aquele que olha de fora através de uma janela aberta, não vê nunca tantas coisas quanto aquele que olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais radiante do que uma janela iluminada por uma candeia. O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante do que o que se passa por detrás de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida.
Para além do ondular dos telhados, avisto uma mulher madura, já com rugas, pobre, sempre debruçada sobre alguma coisa, e que nunca sai. Com seu rosto, com sua roupa, com seu gesto, com quase nada refiz a história desta mulher, ou melhor, sua lenda e, por vezes, a conto a mim mesmo chorando.
Houvesse sido um pobre velho homem, teria refeito a sua com igual facilidade.
E me deito, feliz por ter vivido e sofrido em outros que não eu mesmo.
Vocês talvez me digam: "Tem certeza de que esta lenda é verdadeira?" Que importa o que possa ser realidade situada fora de mim, se ela me ajudou a viver, a sentir que sou e o que sou?
Para além do ondular dos telhados, avisto uma mulher madura, já com rugas, pobre, sempre debruçada sobre alguma coisa, e que nunca sai. Com seu rosto, com sua roupa, com seu gesto, com quase nada refiz a história desta mulher, ou melhor, sua lenda e, por vezes, a conto a mim mesmo chorando.
Houvesse sido um pobre velho homem, teria refeito a sua com igual facilidade.
E me deito, feliz por ter vivido e sofrido em outros que não eu mesmo.
Vocês talvez me digam: "Tem certeza de que esta lenda é verdadeira?" Que importa o que possa ser realidade situada fora de mim, se ela me ajudou a viver, a sentir que sou e o que sou?
(Charles Baudelaire)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ainda
Ainda que fosse certo,
eu teria sido sincero,
se não tivesse coragem de fugir de mim por tanto tempo.
Ainda que eu fosse mais esperto,
eu teria te dito as palavras,
que eu pensei quando me liguei,
que o telefone tocava enquanto em ti eu pensava.
Eu teria sido digno
de te ter mais perto...
Mas ainda não é tarde...
eu teria sido sincero,
se não tivesse coragem de fugir de mim por tanto tempo.
Ainda que eu fosse mais esperto,
eu teria te dito as palavras,
que eu pensei quando me liguei,
que o telefone tocava enquanto em ti eu pensava.
Eu teria sido digno
de te ter mais perto...
Mas ainda não é tarde...
Mudança
Antes tivesse passado, eu, pelas portas que haviam me mostrado a direção que levaria a uma vida digna de glória. Antes tivesse, eu, passado pelas frestas da escura lacuna que me afasta da realidade de um ser supremo e que me leva para mais longe, cada vez mais, de uma verdade invalorosa e ingloriável.
Antes tivesse, a crueldade da beleza que distorce a sinceridade da clareza que tem seus olhos melosos, mas que passaram a ser fiéis e cruéis, frios contra a doce ternura de uma vida discordiosa.
Antes fosse simples encontrar a pureza da nuvem que me chega todos os dias, e me envolve com a singeleza do azul celestial, e a humildade de um raio que engrandece o dia.
Antes me jogasse às frias estacas que a lua arremessa contra minha certeza, e deitasse-me sobre as molhadas gotas do orvalho que escorre entre as minhas grandes fraquezas.
Antes quisesse ter a vida da morte que abri mão, e hoje não quero nem de coração. Antes olhasse para trás sem prestar atenção e quisesse que tudo mudasse então.
Antes seria em vão,
antes não teria a visão,
uma presença em forma, que ilumina as janelas formosas de um país diferente, clareando as curvas das ruas sinuosas, sombreando as pedras do piso maltrapilho e a beleza da vida que agora me espera para um novo partilho.
Antes tivesse, a crueldade da beleza que distorce a sinceridade da clareza que tem seus olhos melosos, mas que passaram a ser fiéis e cruéis, frios contra a doce ternura de uma vida discordiosa.
Antes fosse simples encontrar a pureza da nuvem que me chega todos os dias, e me envolve com a singeleza do azul celestial, e a humildade de um raio que engrandece o dia.
Antes me jogasse às frias estacas que a lua arremessa contra minha certeza, e deitasse-me sobre as molhadas gotas do orvalho que escorre entre as minhas grandes fraquezas.
Antes quisesse ter a vida da morte que abri mão, e hoje não quero nem de coração. Antes olhasse para trás sem prestar atenção e quisesse que tudo mudasse então.
Antes seria em vão,
antes não teria a visão,
uma presença em forma, que ilumina as janelas formosas de um país diferente, clareando as curvas das ruas sinuosas, sombreando as pedras do piso maltrapilho e a beleza da vida que agora me espera para um novo partilho.
domingo, 19 de setembro de 2010
...
E os dias vão sendo confusões,
as dores transpassam o peito
e se misturam com a emoção de te ter por perto,
com a tensão de te ter longe,
e com a sensação de querer o afeto.
Tudo isso, tendo medo...
as dores transpassam o peito
e se misturam com a emoção de te ter por perto,
com a tensão de te ter longe,
e com a sensação de querer o afeto.
Tudo isso, tendo medo...
Trocasimples
E que os dias fossem simples,
e assim acabava a minha canção,
mas eu decidi mudar,
e agora quero dias diferentes,
mas parece que estou atrás do diferente demais,
do diferente extremo,
mas mesmo assim,
depois de temer as escolhas que eu venho fazendo,
eu consigo perceber uma coisa:
Mesmo com tudo isso,
eu percebo que ainda as faço
buscando que os dias continuem sendo simples.
e assim acabava a minha canção,
mas eu decidi mudar,
e agora quero dias diferentes,
mas parece que estou atrás do diferente demais,
do diferente extremo,
mas mesmo assim,
depois de temer as escolhas que eu venho fazendo,
eu consigo perceber uma coisa:
Mesmo com tudo isso,
eu percebo que ainda as faço
buscando que os dias continuem sendo simples.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Thinking
Please,
don't take me,
I want you
and I need,
but I'm afraid.
I don't like this feeling,
but I can't avoid.
In a bullet proof vest,
With the windows all closed,
I'll be doing my best,
I'll see you soon,
In a telescope lens,
And when all you want is friends,
I'll see you soon.
So they came for you,
They came snapping at your heels,
They come snapping at you heels,
But don't break your back,
If you ever hear this,
Don't answer that
(Coldplay)
Now without a bullet proof vest
and with the windows open
I can't stop thinking about you.
don't take me,
I want you
and I need,
but I'm afraid.
I don't like this feeling,
but I can't avoid.
In a bullet proof vest,
With the windows all closed,
I'll be doing my best,
I'll see you soon,
In a telescope lens,
And when all you want is friends,
I'll see you soon.
So they came for you,
They came snapping at your heels,
They come snapping at you heels,
But don't break your back,
If you ever hear this,
Don't answer that
(Coldplay)
Now without a bullet proof vest
and with the windows open
I can't stop thinking about you.
sábado, 28 de agosto de 2010
Idiota
Porque a gente sente?
Eu não sei dizer o porque desta pergunta...
Até anteontem estava eu aqui me lamentando por não sentir,
e hoje estou eu aqui novamente, agora me lamentando por sentir...
A vida é tão injusta, normalmente reclamamos por não ter, e quando temos, reclamamos porque queriamos não ter tido... é difícil compreender!
A pura verdade é que injusto somos nós, por nunca estarmos satisfeitos com a pobre vida, que sempre esta disposta a dar o que pode para que tenhamos prazer suficiente, porém achamos que sempre é pouco.
Temos o olho maior que o espaço, querendo sempre ter mais...
Eu sempre quis poder sentir de verdade, e agora reclamo por tal ponto...
quem dera eu poder balancear tudo e poder ser regrado até mesmo com os sentimentos que agora eu tenho, porém, tenho que escolher... continuar sofrendo, ou voltar a andar pelo escuro sem ter onde segurar...
Eu não sei dizer o porque desta pergunta...
Até anteontem estava eu aqui me lamentando por não sentir,
e hoje estou eu aqui novamente, agora me lamentando por sentir...
A vida é tão injusta, normalmente reclamamos por não ter, e quando temos, reclamamos porque queriamos não ter tido... é difícil compreender!
A pura verdade é que injusto somos nós, por nunca estarmos satisfeitos com a pobre vida, que sempre esta disposta a dar o que pode para que tenhamos prazer suficiente, porém achamos que sempre é pouco.
Temos o olho maior que o espaço, querendo sempre ter mais...
Eu sempre quis poder sentir de verdade, e agora reclamo por tal ponto...
quem dera eu poder balancear tudo e poder ser regrado até mesmo com os sentimentos que agora eu tenho, porém, tenho que escolher... continuar sofrendo, ou voltar a andar pelo escuro sem ter onde segurar...
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Enivrez-vous
Il faut être toujours ivre. Tout est là : c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sens trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront : Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.
______
Embriaguem-se
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto, é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.
Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.
E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna de seu quarto, você acordar, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, à estrela, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua".
Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront : Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.
______
Embriaguem-se
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto, é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.
Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.
E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna de seu quarto, você acordar, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, à estrela, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua".
Charles Baudelaire
sábado, 21 de agosto de 2010
Frases à um querer
Muitas vezes eu pensei em te dizer o quanto bate aqui no peito a vontade de te ter por perto e por dentro, como algo que fosse meu. Quantas vezes já me peguei sentindo vontade de te pegar no colo, lavar as feridas que o tempo vai causando e depois segurar sua mão para caminhar. Quantas vezes...
Como o tempo passa, a gente aprende que isso não é o melhor. Não demonstraria gostar de você fazendo tudo isso, estaria sendo injusto comigo, com você e com o mundo. Estaria sendo indigno do seu carinho, atenção e afeto, estaria desrespeitando minhas paixões, estaria matando você.
Me vejo muito, quando olho nos seus olhos, mas tenho que entender que não sou eu quem esta ai. Não posso te fazer viver a minha vida, mas posso ser seu ombro pra quando você precisar. Não posso te carregar de cavalinho (mesmo as vezes querendo) mas posso estar do seu lado pra quando a onda vier.
Mesmo querendo... isso é estranho, a gente sempre tenta entender porque quer tanto estar junto de alguém. O querer é muito cruel as vezes!
É engraçado porque se gosta tanto de algumas pessoas sem saber porque, mais do que me ver em você, eu gosto do seu abraço, eu gosto do seu sorriso e da sua companhia. Gosto... não sei porque e na verdade não quero entender, não quero estragar isso agora, prefiro ficar apenas pensando que te gosto e que te quero por perto, sem entender o porque, apenas sentindo de verdade.
Como o tempo passa, a gente aprende que isso não é o melhor. Não demonstraria gostar de você fazendo tudo isso, estaria sendo injusto comigo, com você e com o mundo. Estaria sendo indigno do seu carinho, atenção e afeto, estaria desrespeitando minhas paixões, estaria matando você.
Me vejo muito, quando olho nos seus olhos, mas tenho que entender que não sou eu quem esta ai. Não posso te fazer viver a minha vida, mas posso ser seu ombro pra quando você precisar. Não posso te carregar de cavalinho (mesmo as vezes querendo) mas posso estar do seu lado pra quando a onda vier.
Mesmo querendo... isso é estranho, a gente sempre tenta entender porque quer tanto estar junto de alguém. O querer é muito cruel as vezes!
É engraçado porque se gosta tanto de algumas pessoas sem saber porque, mais do que me ver em você, eu gosto do seu abraço, eu gosto do seu sorriso e da sua companhia. Gosto... não sei porque e na verdade não quero entender, não quero estragar isso agora, prefiro ficar apenas pensando que te gosto e que te quero por perto, sem entender o porque, apenas sentindo de verdade.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Flor
Ainda que eu quisesse te dizer, ó bela,
que as lembranças que te guardo pra dizer são minhas,
não seria tão claro como te esconder, ó donzela,
a beleza da singela flor que eu ainda tenho que entender.
(Ainda não sei o que mais escrever sobre você, minha Gérbera Laranja, mas eu ainda quero entender por que me salta os olhos quando vejo a cor que você me traz, as lembranças que você me faz e os pulsos que você me leva)
que as lembranças que te guardo pra dizer são minhas,
não seria tão claro como te esconder, ó donzela,
a beleza da singela flor que eu ainda tenho que entender.
(Ainda não sei o que mais escrever sobre você, minha Gérbera Laranja, mas eu ainda quero entender por que me salta os olhos quando vejo a cor que você me traz, as lembranças que você me faz e os pulsos que você me leva)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Angilin
Um sorriso fino, marcante,
pronto, forte e à espera.
Contando histórias sempre belas,
com a fala mansa e firme,
com o olhar que lembrava a tristeza
e com a cabeça que lembrava a vida.
Assim é a foto que me restou,
assim é como eu conheço o senhor.
Fui ao seu encontro,
e acho que pude estar mais perto,
levei-te a minha flor favorita,
beijei sua foto,
abri minha boca e chorei,
deixando escorrer a saudade de não te ver
e a vontade de te conhecer.
Assim é, Vô,
a dor que fica no meu peito,
quando lembro daquele acidente que senti por verbo,
e que me tirou de vez a sua presença.
Fiquei com a ausência do seu cheiro,
com a falta do seu aperto,
com a dor da sua morte
e com o amor que tenho no peito.
Não te vi,
não te toquei,
não te fiz sorrir,
mas me lembro de você todos os dias,
quando olho pro horizonte
sinto o ar e lembro que,
se você não existisse,
eu também não existiria.
pronto, forte e à espera.
Contando histórias sempre belas,
com a fala mansa e firme,
com o olhar que lembrava a tristeza
e com a cabeça que lembrava a vida.
Assim é a foto que me restou,
assim é como eu conheço o senhor.
Fui ao seu encontro,
e acho que pude estar mais perto,
levei-te a minha flor favorita,
beijei sua foto,
abri minha boca e chorei,
deixando escorrer a saudade de não te ver
e a vontade de te conhecer.
Assim é, Vô,
a dor que fica no meu peito,
quando lembro daquele acidente que senti por verbo,
e que me tirou de vez a sua presença.
Fiquei com a ausência do seu cheiro,
com a falta do seu aperto,
com a dor da sua morte
e com o amor que tenho no peito.
Não te vi,
não te toquei,
não te fiz sorrir,
mas me lembro de você todos os dias,
quando olho pro horizonte
sinto o ar e lembro que,
se você não existisse,
eu também não existiria.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Dúvida da verdade
Ainda que eu escute os sons dos sinos que te trazem para perto de mim, me falta saber se te quero aqui, ou apenas te quero existir.
Me falta saber da coragem do seu gosto, da vontade do seu som.
Tenho em mim a vontade de ti, assim como tenho em ti a vontade de mim, mas me falta conhecer seu verbo, e saber se te quero comigo, assim como me quero contigo... mas que agora me deixa em dúvida se te desejo ou se te planejo, ficando com o medo de planejar e decepcionar, e com a vontade de desejar e não ter coragem de enfrentar.
Penso que a verdade vem a tona quando se treme na perna, e o peito grita a mudez do não bater, revelando seu rosto em ausência, com o sonho de te encontrar na realidade e te tocar com a mais pura sinceridade.
Toquem os sinos pois eu estou a esperar. Acho que escutei rumores vindos de lá, mas ainda tenho dúvida se te quero com os sinos, ou se quero apenas os sinos, sem você.
Me falta saber da coragem do seu gosto, da vontade do seu som.
Tenho em mim a vontade de ti, assim como tenho em ti a vontade de mim, mas me falta conhecer seu verbo, e saber se te quero comigo, assim como me quero contigo... mas que agora me deixa em dúvida se te desejo ou se te planejo, ficando com o medo de planejar e decepcionar, e com a vontade de desejar e não ter coragem de enfrentar.
Penso que a verdade vem a tona quando se treme na perna, e o peito grita a mudez do não bater, revelando seu rosto em ausência, com o sonho de te encontrar na realidade e te tocar com a mais pura sinceridade.
Toquem os sinos pois eu estou a esperar. Acho que escutei rumores vindos de lá, mas ainda tenho dúvida se te quero com os sinos, ou se quero apenas os sinos, sem você.
domingo, 25 de julho de 2010
Para mim, sempre foi difícil escolher entre as coisas, já fiquei horas frente a uma vitrine tentando escolher o doce que queria comer, mas os tempos vão passando, as situações vão mudando,
e hoje eu só queria ter uma vitrine e poder escolher um dos doces sem medo de errar...
(Já declarei minha dúvida e meu medo, agora preciso me deitar sobre as mãos, me cobrir até as orelhas e tentar dormir. Boa noite!)
e hoje eu só queria ter uma vitrine e poder escolher um dos doces sem medo de errar...
(Já declarei minha dúvida e meu medo, agora preciso me deitar sobre as mãos, me cobrir até as orelhas e tentar dormir. Boa noite!)
Pra que?
Te procurei no dia errado,
nem contigo falei,
mas fui no lugar que queria te encontrar.
Queria algo desprevinido,
um encontro surpresa,
pra podermos conversar sem medo do que fosse acontecer.
Você ja havia tentado isso,
mas eu me neguei a acreditar.
Ontem me interroguei se estava pensando ou sentindo
e hoje te procurei querendo sentir e olhar nos seus olhos,
mas nada.
Lugar lotado, casa cheia,
musica alta, bebida.
Musica bem alta, bebida.
Dança sem graça, bebida.
Olhos a busca, água.
Nada de você, mais água.
Medo de te encontrar, água.
Queria te ligar, peguei a chave e vim embora.
nem contigo falei,
mas fui no lugar que queria te encontrar.
Queria algo desprevinido,
um encontro surpresa,
pra podermos conversar sem medo do que fosse acontecer.
Você ja havia tentado isso,
mas eu me neguei a acreditar.
Ontem me interroguei se estava pensando ou sentindo
e hoje te procurei querendo sentir e olhar nos seus olhos,
mas nada.
Lugar lotado, casa cheia,
musica alta, bebida.
Musica bem alta, bebida.
Dança sem graça, bebida.
Olhos a busca, água.
Nada de você, mais água.
Medo de te encontrar, água.
Queria te ligar, peguei a chave e vim embora.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Dor da dúvida
Não quero escrever as coisas que estão vindo à minha cabeça,
parece que o medo me tomou o peito e me fez sentir a dor de estar sujeito ao que vem de fora e que pode marcar por dentro.
Parece que me abri um dia e agora estou tendo que tomar os remédios pra esconder aqueles que embrulham minha cabeça e me doem o estômago, pensamentos fortes que me eriçam os pelos e me mordem a boca.
Pensamentos meus que me levam a ti, mas me fazem infeliz quando sorri...
Dores que levam a vida de te desejar, com a vontade de te acariciar, com o desejo de perder o gosto e talvez desejar tê-lo de novo,
acho que quero aquele toque singelo, o olhar sincero, o sorriso besta,
mas talvez seja por tentar estar, e querer ouvir o que alguém não quiz me falar, talvez eu só queira outra voz que me diga "bem" com um gosto novo e não me de desgosto por tentar estar e não conseguir "vingar".
Eu reguei a flor que desbotou, e estou em dúvida do que fazer,
não sei se troco de terra ou se troco de água?
Meu medo é sincero e me torce a vida, as raizes, as feridas,
não sei se aguento o barranco, talvez eu fique nesse canto, e morra de sentir dor.
parece que o medo me tomou o peito e me fez sentir a dor de estar sujeito ao que vem de fora e que pode marcar por dentro.
Parece que me abri um dia e agora estou tendo que tomar os remédios pra esconder aqueles que embrulham minha cabeça e me doem o estômago, pensamentos fortes que me eriçam os pelos e me mordem a boca.
Pensamentos meus que me levam a ti, mas me fazem infeliz quando sorri...
Dores que levam a vida de te desejar, com a vontade de te acariciar, com o desejo de perder o gosto e talvez desejar tê-lo de novo,
acho que quero aquele toque singelo, o olhar sincero, o sorriso besta,
mas talvez seja por tentar estar, e querer ouvir o que alguém não quiz me falar, talvez eu só queira outra voz que me diga "bem" com um gosto novo e não me de desgosto por tentar estar e não conseguir "vingar".
Eu reguei a flor que desbotou, e estou em dúvida do que fazer,
não sei se troco de terra ou se troco de água?
Meu medo é sincero e me torce a vida, as raizes, as feridas,
não sei se aguento o barranco, talvez eu fique nesse canto, e morra de sentir dor.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
E ela nunca para de girar, como se nada tivesse acontecido, como se nenhum caco tivesse ficando para trás. Ela gira, esquecendo das dores, dos poços, das caldas, das mágicas, das feridas, e vai deixando tudo para trás...
Pena minha ter que recolher cada pedaço, um a um, e colocar no buraco do tempo. Neste meio espaço todas estas migalhas passam pela minha mão, fazendo parte de mim, deixando-me resquícios da existência de um tempo que esta ficando para trás enquanto se torna novo. Cada instante com sua pureza, e cada caco com a sua dureza.
Cada corte que me faz na mão, são marcas que ficam sem podem girar, e que quando a lua se vai, ficam para que o sol veja.. e enquanto isso a Terra gira, me deixando com as marcas que ela não sente, com os cortes que o sol faz brilhar, que a lua tenta apagar, mas que eu sempre vejo.
E ela continua a girar...
Pena minha ter que recolher cada pedaço, um a um, e colocar no buraco do tempo. Neste meio espaço todas estas migalhas passam pela minha mão, fazendo parte de mim, deixando-me resquícios da existência de um tempo que esta ficando para trás enquanto se torna novo. Cada instante com sua pureza, e cada caco com a sua dureza.
Cada corte que me faz na mão, são marcas que ficam sem podem girar, e que quando a lua se vai, ficam para que o sol veja.. e enquanto isso a Terra gira, me deixando com as marcas que ela não sente, com os cortes que o sol faz brilhar, que a lua tenta apagar, mas que eu sempre vejo.
E ela continua a girar...
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Viagem ao amor
Se eu disser que não te conheço, estaria sendo mentiroso;
Se eu disser que não te sinto, estaria sendo hipócrita;
Se eu disser que só te vi pela rua, estaria engolindo meu choro a seco;
Se eu disser que seu cheiro é incomodo, estaria me fingindo de morto;
Se eu disser que meu sangue não corre mais, é porque eu estou precisando de você de novo.
Se eu disser que meu coração não bate mais, é porque eu quase morri,
mas encontrei tempo de escrever pra você!
Se eu disser que não te sinto, estaria sendo hipócrita;
Se eu disser que só te vi pela rua, estaria engolindo meu choro a seco;
Se eu disser que seu cheiro é incomodo, estaria me fingindo de morto;
Se eu disser que meu sangue não corre mais, é porque eu estou precisando de você de novo.
Se eu disser que meu coração não bate mais, é porque eu quase morri,
mas encontrei tempo de escrever pra você!
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Homem Lua
Numa imensidão negra,
encontra-se a luz,
uma que brilha de um astro,
parasita, mas que brilha
uma luz que não é dele,
dono o qual nunca foi tocado.
Um brilho que me mostra quem é,
que me faz saber sua verdade,
qual é a sua fase?
Quero-te como estás,
mingue para mim,
cresça com as palavras,
fique cheia de si
e por fim
torne novo aquilo que antes era velho.
Esconda-se dos meus olhos,
e apresente-se aos outros,
torne-se parte de mim,
enquanto estou eu aqui, sem poder tocar-te.
Torne-se presente,
ao mesmo tempo que se ausenta...
Torne-se alguém,
viva luz que brilha de outro,
reluza aquela face,
faça-a falar,
ensine-a coisas úteis para que alguém
um outro sem luz,
a encha de esperança e depois apresente-lhe a crua verdade.
Assim é o homem,
luz por nascença,
parasita de outro ser,
dependente de outro saber,
aquele que cresce sem nada ter,
que por outro aprimora-se,
e com uma luz brilha,
imprópria,
assim como a luz
que a lua não tem,
mas que me alegra os olhos,
como quando vejo você,
e depois me olho no espelho.
O homem brilha como ela,
a luz de outro alguém,
um outro que um dia nada soube,
e que de um outro passou a saber...
alguém que esta pra lá,
assim como a lua,
que ilumina minha noite,
mas continua sempre me deixando aqui...
encontra-se a luz,
uma que brilha de um astro,
parasita, mas que brilha
uma luz que não é dele,
dono o qual nunca foi tocado.
Um brilho que me mostra quem é,
que me faz saber sua verdade,
qual é a sua fase?
Quero-te como estás,
mingue para mim,
cresça com as palavras,
fique cheia de si
e por fim
torne novo aquilo que antes era velho.
Esconda-se dos meus olhos,
e apresente-se aos outros,
torne-se parte de mim,
enquanto estou eu aqui, sem poder tocar-te.
Torne-se presente,
ao mesmo tempo que se ausenta...
Torne-se alguém,
viva luz que brilha de outro,
reluza aquela face,
faça-a falar,
ensine-a coisas úteis para que alguém
um outro sem luz,
a encha de esperança e depois apresente-lhe a crua verdade.
Assim é o homem,
luz por nascença,
parasita de outro ser,
dependente de outro saber,
aquele que cresce sem nada ter,
que por outro aprimora-se,
e com uma luz brilha,
imprópria,
assim como a luz
que a lua não tem,
mas que me alegra os olhos,
como quando vejo você,
e depois me olho no espelho.
O homem brilha como ela,
a luz de outro alguém,
um outro que um dia nada soube,
e que de um outro passou a saber...
alguém que esta pra lá,
assim como a lua,
que ilumina minha noite,
mas continua sempre me deixando aqui...
terça-feira, 15 de junho de 2010
Carta 1
Querido Alguém,
Quando a gente escreve, não pensa em como vai ser, as vezes tenta escrever aquilo que queria dizer e talvez não consegue trazer até os ouvidos desse ser.
Te escrevo pra isso, te trazer a noção de que eu tenho um coração...
Senti frio muitas vezes, e achava que estava doente, senti fome e achava que tinha vermes... Hoje sinto sede, e sei que tenho água para beber!
Vi meus pés se secarem por falta de andar, meus ossos fraquejaram, meus músculos atrofiaram e eu fiquei aqui, sem conseguir sair. Mas desde que vi as estrelas, sei que a lua também se esconde, e que no dia seguinte aparece com força... Que as mesmas estrelas que brilham hoje, amanhã trazem a mensagem do carinho que se tem, dos amigos que se agrega, dos sorrisos que se conquista, dos abraços que passam a ser seus.
Queria te entregar uma flor que vi em um livro, porém ela era dele e não poderia ser sua, por isso estou tentando criar uma que seja só sua, sem que exista nenhuma igual... por favor, tenha paciência.
Te escrevo essa carta para que ela chegue limpa e possa reluzir a luz que a lua reflete quando eu vejo você. Porque não consigo te encontrar como eu quero, mas estou tentando ser quem eu sou, e por isso, escrevo sem medo...
Ela será encaminhada, mas sabe-se lá quando chegará, espero que antes da flor, pra que eu possa escrever de novo um outro caminho para as pétalas quando os espinhos tocarem meus dedos e eu a colocar na sua mão, com reflexos do meu sangue e uma bela taça de vinho.
Espero que te encontre em breve,
Beijo de um outro alguém.
Quando a gente escreve, não pensa em como vai ser, as vezes tenta escrever aquilo que queria dizer e talvez não consegue trazer até os ouvidos desse ser.
Te escrevo pra isso, te trazer a noção de que eu tenho um coração...
Senti frio muitas vezes, e achava que estava doente, senti fome e achava que tinha vermes... Hoje sinto sede, e sei que tenho água para beber!
Vi meus pés se secarem por falta de andar, meus ossos fraquejaram, meus músculos atrofiaram e eu fiquei aqui, sem conseguir sair. Mas desde que vi as estrelas, sei que a lua também se esconde, e que no dia seguinte aparece com força... Que as mesmas estrelas que brilham hoje, amanhã trazem a mensagem do carinho que se tem, dos amigos que se agrega, dos sorrisos que se conquista, dos abraços que passam a ser seus.
Queria te entregar uma flor que vi em um livro, porém ela era dele e não poderia ser sua, por isso estou tentando criar uma que seja só sua, sem que exista nenhuma igual... por favor, tenha paciência.
Te escrevo essa carta para que ela chegue limpa e possa reluzir a luz que a lua reflete quando eu vejo você. Porque não consigo te encontrar como eu quero, mas estou tentando ser quem eu sou, e por isso, escrevo sem medo...
Ela será encaminhada, mas sabe-se lá quando chegará, espero que antes da flor, pra que eu possa escrever de novo um outro caminho para as pétalas quando os espinhos tocarem meus dedos e eu a colocar na sua mão, com reflexos do meu sangue e uma bela taça de vinho.
Espero que te encontre em breve,
Beijo de um outro alguém.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Amplexos
Queria te pedir o convívio do aperto,
dividir contigo o cheiro do meu viver,
que talvez se misturaria com o cheiro do seu perfume.
Só queria estar perto, quando o vento tocasse seu corpo,
e talvez fosse eu, a outra parte do seu, que o vento encontraria.
Talvez seja estranho,
até mesmo incomodo,
mas não conheço ninguém que morreu
por tê-lo tido de ti.
Isso é mais meu,
pois quem sofre sou eu.
Só queria te pedir com palavras vocais,
o que eu sinto nas minhas palavras ocultas.
Ele se encontra como pilar da minha sobrevivência
que hoje esta semibreve cercado
pelas folhas que me rodeiam
e me abraçam,
mas deixam espaço suficiente
para que me faça sentir necessário
aquele que eu não tive
e que é seu,
mas ainda espero que também seja meu
o seu abraço.
dividir contigo o cheiro do meu viver,
que talvez se misturaria com o cheiro do seu perfume.
Só queria estar perto, quando o vento tocasse seu corpo,
e talvez fosse eu, a outra parte do seu, que o vento encontraria.
Talvez seja estranho,
até mesmo incomodo,
mas não conheço ninguém que morreu
por tê-lo tido de ti.
Isso é mais meu,
pois quem sofre sou eu.
Só queria te pedir com palavras vocais,
o que eu sinto nas minhas palavras ocultas.
Ele se encontra como pilar da minha sobrevivência
que hoje esta semibreve cercado
pelas folhas que me rodeiam
e me abraçam,
mas deixam espaço suficiente
para que me faça sentir necessário
aquele que eu não tive
e que é seu,
mas ainda espero que também seja meu
o seu abraço.
sábado, 15 de maio de 2010
Solte-me
Eu tentei, eu juro que tentei, segurei sua mão firme, sorri para seus dias felizes, chorei nos seus dias tristes, mas quando me deparei com os meus, percebi que estava só.
Percebi que meus dias são sempre felizes e tristes, cheios e vazios, brancos e pretos, doces e amargos - crus, sozinhos, acinzentados, vazios e amargos.
Não sei, não entendo sua dor, fraco ser existente em mim, te consolo todos os dias e percebo que aparenta a força de um leão, com a coragem de um rato. A fraqueza da libélula, num voo sem altura. Por que continua então a querer a vida? Por que escolhe resistir em um ser que pede liberdade da prisão, que até agora chora fechado com medo de arrebentar as correntes que o prendem a vida?
Já é hora de soltar, ou ao menos se separar. Por favor, é isso que te peço, ó ser que me perturbas, que me acordar com dor, que me faz chorar na ausência dos outros e ainda sentir culpa pelo ato. Me deixe em paz, é só isso que eu quero, é só isso que eu preciso!
Percebi que meus dias são sempre felizes e tristes, cheios e vazios, brancos e pretos, doces e amargos - crus, sozinhos, acinzentados, vazios e amargos.
Não sei, não entendo sua dor, fraco ser existente em mim, te consolo todos os dias e percebo que aparenta a força de um leão, com a coragem de um rato. A fraqueza da libélula, num voo sem altura. Por que continua então a querer a vida? Por que escolhe resistir em um ser que pede liberdade da prisão, que até agora chora fechado com medo de arrebentar as correntes que o prendem a vida?
Já é hora de soltar, ou ao menos se separar. Por favor, é isso que te peço, ó ser que me perturbas, que me acordar com dor, que me faz chorar na ausência dos outros e ainda sentir culpa pelo ato. Me deixe em paz, é só isso que eu quero, é só isso que eu preciso!
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Ac(a-u)s(o-a)-dor
Depois daquilo tudo,
me pergunto de quem é a culpa
que fica no meu ser,
dizendo adeus a alegria de te ver bem
pensando que talvez fosse melhor
se a ferida a mim tivesse atingido
e o osso da fratura fosse então meu.
Sei que seria difícil que apenas eu tivesse passado por isso;
não teria como cair sem levar comigo você,
mas era o que eu preferia.
Sinto culpa por ter deixado que acontecesse,
mesmo sabendo que não foi minha culpa - a minha,
mesmo sabendo que eu estava certo
e que talvez nada que eu fizesse poderia evitar,
apenas o acaso,
que a partir de agora
estou engolindo rispidamente.
Queria ter uma ferida aberta pra mostrar,
mas só tenho a hemorragia de uma culpa que existe a tempos
que se tornou viva novamente quando te vi na rua,
quando senti seu joelho inchado
e quando te vi chorando de dor.
Parece injusto dizer isso,
talvez insensível da minha parte,
mas você me conhece e sabe a profundida do que te digo aqui:
Seria mais fácil pra mim
sentir a dor da minha carne correndo pelo asfalto
do que a dor da culpa que estava quieta até então,
mas que há anos estava em mim,
coberta com uma gaze aberta,
mas que Segunda jorrou sangue,
e mesmo não aparecendo pros outros,
me fez chorar por dentro,
beber muita água pra ver se o sal das lágrimas
se misturavam com a insípida deglutição da água,
chegando ao meu estômago mais suavemente,
não me permitindo notá-la.
Talvez o sangue que aqui já secou,
virou uma casca fraca,
e agora eu cutuquei...
tentei soprar respirando fundo,
entender que não fui eu quem te jogou no chão,
mesmo sentindo como se fosse.
Desculpa por isso,
eu não quis...
eu não planejei...
não era pra ser assim...
não fazia parte da minha lógica,
não fazia parte do meu pensamento,
mas agora faz parte do meu sentir...
e dói!
me pergunto de quem é a culpa
que fica no meu ser,
dizendo adeus a alegria de te ver bem
pensando que talvez fosse melhor
se a ferida a mim tivesse atingido
e o osso da fratura fosse então meu.
Sei que seria difícil que apenas eu tivesse passado por isso;
não teria como cair sem levar comigo você,
mas era o que eu preferia.
Sinto culpa por ter deixado que acontecesse,
mesmo sabendo que não foi minha culpa - a minha,
mesmo sabendo que eu estava certo
e que talvez nada que eu fizesse poderia evitar,
apenas o acaso,
que a partir de agora
estou engolindo rispidamente.
Queria ter uma ferida aberta pra mostrar,
mas só tenho a hemorragia de uma culpa que existe a tempos
que se tornou viva novamente quando te vi na rua,
quando senti seu joelho inchado
e quando te vi chorando de dor.
Parece injusto dizer isso,
talvez insensível da minha parte,
mas você me conhece e sabe a profundida do que te digo aqui:
Seria mais fácil pra mim
sentir a dor da minha carne correndo pelo asfalto
do que a dor da culpa que estava quieta até então,
mas que há anos estava em mim,
coberta com uma gaze aberta,
mas que Segunda jorrou sangue,
e mesmo não aparecendo pros outros,
me fez chorar por dentro,
beber muita água pra ver se o sal das lágrimas
se misturavam com a insípida deglutição da água,
chegando ao meu estômago mais suavemente,
não me permitindo notá-la.
Talvez o sangue que aqui já secou,
virou uma casca fraca,
e agora eu cutuquei...
tentei soprar respirando fundo,
entender que não fui eu quem te jogou no chão,
mesmo sentindo como se fosse.
Desculpa por isso,
eu não quis...
eu não planejei...
não era pra ser assim...
não fazia parte da minha lógica,
não fazia parte do meu pensamento,
mas agora faz parte do meu sentir...
e dói!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Claro
Eu estava sentado sobre meu sofá,
listrado e aconchegante,
e você veio,
tirou de mim o conforto do quarto semi escuro,
as telas eram belas daquela forma,
você chegou com a marreta
e quebrou a parede que eu mais gostava,
a destruiu,
derrubou tudo sobre meu piso,
e me fez ver que existia uma janela atrás daquela parede.
Eu estou aqui, admirando a janela
quero lentamente conseguir chegar até ela,
descobrir tudo o que há além,
pois até então eu só vejo a luz,
e o reflexo dos vultos...
Agora,
Eis que você chegou de novo,
te escuto bater,
e mesmo sem eu atender,
você usa sua voz:
"Oi, já é hora de sentir"
e desde então eu tenho uma porta!
listrado e aconchegante,
e você veio,
tirou de mim o conforto do quarto semi escuro,
as telas eram belas daquela forma,
você chegou com a marreta
e quebrou a parede que eu mais gostava,
a destruiu,
derrubou tudo sobre meu piso,
e me fez ver que existia uma janela atrás daquela parede.
Eu estou aqui, admirando a janela
quero lentamente conseguir chegar até ela,
descobrir tudo o que há além,
pois até então eu só vejo a luz,
e o reflexo dos vultos...
Agora,
Eis que você chegou de novo,
te escuto bater,
e mesmo sem eu atender,
você usa sua voz:
"Oi, já é hora de sentir"
e desde então eu tenho uma porta!
Papel
Já tive a cor dos olhos,
seus, mas minha cor.
Já tive o gosto do perfume,
o cheiro da vontade,
a fragância do vento que passou.
A flor que murchou sem querer,
o vaso que quebrou sem eu ver,
a terra que formou desenhos,
e o barro que virou alguém!
Quero água pra limpar,
mas perder o que sujou é perder alguém que se amou
é viver sem a cor do olho que tem cheiro de verdade
e que traz a cura da saudade...
Ai se conhecesses meu inimigo íntimo.
Dirias a ele para se tornar o mocinho,
pois este papel esta vazio.
Já cancei de puxar as cortinas,
mas não consigo pensar quem o farias,
caso tomasse eu o papel do meu íntimo,
e deixasse de ser meu próprio inimigo
que me trai com a saudade
de um cheiro de verdade
de alguém que é incerta
de uma cor que não existe.
seus, mas minha cor.
Já tive o gosto do perfume,
o cheiro da vontade,
a fragância do vento que passou.
A flor que murchou sem querer,
o vaso que quebrou sem eu ver,
a terra que formou desenhos,
e o barro que virou alguém!
Quero água pra limpar,
mas perder o que sujou é perder alguém que se amou
é viver sem a cor do olho que tem cheiro de verdade
e que traz a cura da saudade...
Ai se conhecesses meu inimigo íntimo.
Dirias a ele para se tornar o mocinho,
pois este papel esta vazio.
Já cancei de puxar as cortinas,
mas não consigo pensar quem o farias,
caso tomasse eu o papel do meu íntimo,
e deixasse de ser meu próprio inimigo
que me trai com a saudade
de um cheiro de verdade
de alguém que é incerta
de uma cor que não existe.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Almoço
Pratos posicionados,
talheres com lados trocados,
guardanapos dobrados,
copos a beira prato.
Pronto, a mesa esta posta,
tragam agora aquele corpo,
estendam-no sobre a mesa
e então compartilharemos de suas desgraças.
Prefiro o tiro de ontem a noite,
ou o golpe mortal do ônibus sobre um ser,
talvez até um acidente causado por drogas.
Os comentários são os melhores:
"Ó meu Deus, que dó!"
"Bem feito, merecia morrer de novo"
"Quem mandou mexer com isso??"
"Mais que merecida a prisão dele"
Enquanto isso,
mastigo minha alface,
saboreando o azedo do limão que poderia ter manchado aquele braço
que levou o tiro,
que foi filmado,
junto com o morto,
que era amigo do preso,
que também foi filmado
e que passou na TV
que mudou o sabor do meu almoço,
que até então, tinha gosto de comida.
talheres com lados trocados,
guardanapos dobrados,
copos a beira prato.
Pronto, a mesa esta posta,
tragam agora aquele corpo,
estendam-no sobre a mesa
e então compartilharemos de suas desgraças.
Prefiro o tiro de ontem a noite,
ou o golpe mortal do ônibus sobre um ser,
talvez até um acidente causado por drogas.
Os comentários são os melhores:
"Ó meu Deus, que dó!"
"Bem feito, merecia morrer de novo"
"Quem mandou mexer com isso??"
"Mais que merecida a prisão dele"
Enquanto isso,
mastigo minha alface,
saboreando o azedo do limão que poderia ter manchado aquele braço
que levou o tiro,
que foi filmado,
junto com o morto,
que era amigo do preso,
que também foi filmado
e que passou na TV
que mudou o sabor do meu almoço,
que até então, tinha gosto de comida.
domingo, 25 de abril de 2010
Àmostra
Tentei compartilhar,
mas tive medo de me mostrar.
Mostrar no sentido aberto, no sentido exposto, no sentido de gosto.
Não queria te deixar assim,
muito menos te ver por fim,
penso que não quero,
mas sei que no fundo desejo.
Falta me seu olho,
por amor,
não me deixe mais exposto.
mas tive medo de me mostrar.
Mostrar no sentido aberto, no sentido exposto, no sentido de gosto.
Não queria te deixar assim,
muito menos te ver por fim,
penso que não quero,
mas sei que no fundo desejo.
Falta me seu olho,
por amor,
não me deixe mais exposto.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Um do cotidiano
Saí do quarto para te ligar,
Você atendeu com sua voz única e eu perguntei quem era,
A resposta era óbvia e a que eu gostaria de ouvir,
Então perguntei como você estava,
Você afirmou estar bem, e me perguntou como eu estava,
Respondi que estava bem,
Mas estava com saudade, sentindo falta da sua companhia,
Da sua voz, do seu abraço,
E então você fez um silêncio por alguns segundos,
Sua respiração ofegou,
E então você respondeu,
Que bom você ter falado isso, eu também estou sentindo sua falta,
Queria te falar isso, mas estava com medo da sua impressão sobre mim,
Lhe disse que não, que ficarei sempre muito feliz em te atender e te ouvir,
Você me contou que esta tendo alguns problemas,
Eu ouvi, caladamente, fiz algumas perguntas sobre o assunto
Você respondeu sobre seus problemas
E disse que seria legal se nos encontrássemos para ficarmos conversando,
Eu concordei, levei alguns pães,
Tomamos um café,
Rimos a tarde toda, e eu voltei embora...
Cheguei à sala,
peguei o telefone
e agora posso discar o número da sua casa para alguém atender...
Você atendeu com sua voz única e eu perguntei quem era,
A resposta era óbvia e a que eu gostaria de ouvir,
Então perguntei como você estava,
Você afirmou estar bem, e me perguntou como eu estava,
Respondi que estava bem,
Mas estava com saudade, sentindo falta da sua companhia,
Da sua voz, do seu abraço,
E então você fez um silêncio por alguns segundos,
Sua respiração ofegou,
E então você respondeu,
Que bom você ter falado isso, eu também estou sentindo sua falta,
Queria te falar isso, mas estava com medo da sua impressão sobre mim,
Lhe disse que não, que ficarei sempre muito feliz em te atender e te ouvir,
Você me contou que esta tendo alguns problemas,
Eu ouvi, caladamente, fiz algumas perguntas sobre o assunto
Você respondeu sobre seus problemas
E disse que seria legal se nos encontrássemos para ficarmos conversando,
Eu concordei, levei alguns pães,
Tomamos um café,
Rimos a tarde toda, e eu voltei embora...
Cheguei à sala,
peguei o telefone
e agora posso discar o número da sua casa para alguém atender...
Lanterna dos afogados
Vamos barco, me leve pra onde a luz alcança
Eu não sei de onde ela partiu, mas sei que pegou
e daquele jeito que leva flutuando pra longe,
quase caí na água, mas ainda sinto falta do ar que refresca.
Gostei do mirante, mas ainda quero água,
de cima é tudo escuro, só vejo onde minha luz alcança.
Alguém mirou pra mim, não vejo o ponto, só o clarão,
arde o olho, quero ar,
a água ta gelada, mesmo com a luz tentando me aquecer.
Quero blusa, mas na água ela não serve,
quero sunga, mas no ar eu sinto frio,
quero luz, mas meus olhos ardem,
quero você, mas não sei bem...
O vento bate o sino,
a bandeira agita,
a luz apaga,
o vento cessa,
o frio diminui,
o calor some,
a água seca,
o vento molha,
a pele coça...
"Quando ta escuro e ninguém te ouve,
quando chega a noite e você pode chorar,
ha uma luz no túnel dos desesperados,
ha um cais de porto pra quem precisa chegar,
eu to na lanterna dos afogados,
eu to te esperando, vê se não vai demorar.
É uma noite longa, de uma vida curta,
mas ja não importa, basta poder te ajudar,
são tantas marcas, que ja fazem parte,
do que eu sou agora,
mas ainda sei me virar
eu to na lanterna dos afogados,
eu to te esperando..."
Eu não sei de onde ela partiu, mas sei que pegou
e daquele jeito que leva flutuando pra longe,
quase caí na água, mas ainda sinto falta do ar que refresca.
Gostei do mirante, mas ainda quero água,
de cima é tudo escuro, só vejo onde minha luz alcança.
Alguém mirou pra mim, não vejo o ponto, só o clarão,
arde o olho, quero ar,
a água ta gelada, mesmo com a luz tentando me aquecer.
Quero blusa, mas na água ela não serve,
quero sunga, mas no ar eu sinto frio,
quero luz, mas meus olhos ardem,
quero você, mas não sei bem...
O vento bate o sino,
a bandeira agita,
a luz apaga,
o vento cessa,
o frio diminui,
o calor some,
a água seca,
o vento molha,
a pele coça...
"Quando ta escuro e ninguém te ouve,
quando chega a noite e você pode chorar,
ha uma luz no túnel dos desesperados,
ha um cais de porto pra quem precisa chegar,
eu to na lanterna dos afogados,
eu to te esperando, vê se não vai demorar.
É uma noite longa, de uma vida curta,
mas ja não importa, basta poder te ajudar,
são tantas marcas, que ja fazem parte,
do que eu sou agora,
mas ainda sei me virar
eu to na lanterna dos afogados,
eu to te esperando..."
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Justiça
Vesti minha capa e fui encontrá-los,
passei pelos becos, vales, estrelas, nuvens,
perfurei a lua
e cheguei junto a vocês.
Me encontrei com a força da justiça,
a lealdade da vida,
a amizade do real e irreal.
Fomos chamados pela Vida para uma missão
e eu estufei o peito, agitei minha capa escura,
mostrei meu símbolo,
amarrei minha calça,
e saí voando em busca do ego indefeso.
Vocês me acompanharam, sem nenhum comentário,
e então nos deparamos com um beco,
fundo, escuro, cercado por dois prédios abandonados,
com as janelas interditadas a madeiras.
As paredes estavam pichadas de histórias metafóricas,
e vocês estavam olhando para mim,
lá do alto do prédio,
e me disseram:
"Nós estamos aqui, não acontecerá nada"
Me irritei por não terem decido ali,
e quando eu gritava, vocês respondiam com convicção:
"Esta missão é sua"
Em minha frente havia o contorno de uma pessoa,
coberto com um pano preto e imóvel.
Com cautela, retirei o pano
pensando no poder que usaria,
e quando baixou o pó,
me vi refletido no espelho.
Meus olhos, boca, cabelo...
Capa no chão,
máscara desfeita,
e o indefeso.
Acabou a armação,
agora sou eu e eu,
sem poderes,
sem armas sem dilhas...
Apenas eu...
Quando achei ter visto a criptonita,
vocês se aproximaram,
mas não aterrisaram.
Eu somente abaixei
admirei
e peguei uma pedra
mesmo sabendo quem era o vilão.
passei pelos becos, vales, estrelas, nuvens,
perfurei a lua
e cheguei junto a vocês.
Me encontrei com a força da justiça,
a lealdade da vida,
a amizade do real e irreal.
Fomos chamados pela Vida para uma missão
e eu estufei o peito, agitei minha capa escura,
mostrei meu símbolo,
amarrei minha calça,
e saí voando em busca do ego indefeso.
Vocês me acompanharam, sem nenhum comentário,
e então nos deparamos com um beco,
fundo, escuro, cercado por dois prédios abandonados,
com as janelas interditadas a madeiras.
As paredes estavam pichadas de histórias metafóricas,
e vocês estavam olhando para mim,
lá do alto do prédio,
e me disseram:
"Nós estamos aqui, não acontecerá nada"
Me irritei por não terem decido ali,
e quando eu gritava, vocês respondiam com convicção:
"Esta missão é sua"
Em minha frente havia o contorno de uma pessoa,
coberto com um pano preto e imóvel.
Com cautela, retirei o pano
pensando no poder que usaria,
e quando baixou o pó,
me vi refletido no espelho.
Meus olhos, boca, cabelo...
Capa no chão,
máscara desfeita,
e o indefeso.
Acabou a armação,
agora sou eu e eu,
sem poderes,
sem armas sem dilhas...
Apenas eu...
Quando achei ter visto a criptonita,
vocês se aproximaram,
mas não aterrisaram.
Eu somente abaixei
admirei
e peguei uma pedra
mesmo sabendo quem era o vilão.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Medo
Já era hora de saber o que eu penso de você,
sinto frio ao lembrar dos seus olhos, suas mãos, seus sopros, seus sussurros.
Sinto pena de mim por fugir tanto assim de algo que parece não ter fim.
Primeiro o escuro, depois a solidão,
agora as aranhas.
O que fazer então, quando se tem a impressão de que tudo vai te cercar com aquilo que te faz agir em vão?
Escondo minhas mãos e pés,
travesseiro e coberta, o que seria de minhas noites sem vocês?
Vêm perguntas, palavras, musicas, sons, imagens... tudo que possibilita a cena.
Muito frio, vento forte, uma grande teia, o escuro, um grande escuro, e a solidão!
Venha aranha, hoje eu tirei na sorte a sua presença,
decidi escolher dois a um, e ganhei no jogo.
Minhas pedras são invisíveis, e meus olhos passam pela escuridão,
escuto seus passos frios e sinto a tensão,
mas não vou correr,
vou descobrir meus pés e mãos, vou te esperar acordado,
pra te dizer as verdades do medo que sinto,
e te esmagar com a fidedignidade do meu temor.
sinto frio ao lembrar dos seus olhos, suas mãos, seus sopros, seus sussurros.
Sinto pena de mim por fugir tanto assim de algo que parece não ter fim.
Primeiro o escuro, depois a solidão,
agora as aranhas.
O que fazer então, quando se tem a impressão de que tudo vai te cercar com aquilo que te faz agir em vão?
Escondo minhas mãos e pés,
travesseiro e coberta, o que seria de minhas noites sem vocês?
Vêm perguntas, palavras, musicas, sons, imagens... tudo que possibilita a cena.
Muito frio, vento forte, uma grande teia, o escuro, um grande escuro, e a solidão!
Venha aranha, hoje eu tirei na sorte a sua presença,
decidi escolher dois a um, e ganhei no jogo.
Minhas pedras são invisíveis, e meus olhos passam pela escuridão,
escuto seus passos frios e sinto a tensão,
mas não vou correr,
vou descobrir meus pés e mãos, vou te esperar acordado,
pra te dizer as verdades do medo que sinto,
e te esmagar com a fidedignidade do meu temor.
sábado, 3 de abril de 2010
Errar
Não pense meu melhor,
saiba que eu também posso errar
e que, além de tudo, eu posso acertar.
Saiba que a vida não é só feita de troféus,
e que é com pedras que se contrói uma casa.
Ninguém mora no buraco, mas ninguém pode sobreviver sem um!
Oco ou não,
você sempre carrega algo que não te permite ser,
mas nada impede que você não sinta querer,
não sinta viver.
saiba que eu também posso errar
e que, além de tudo, eu posso acertar.
Saiba que a vida não é só feita de troféus,
e que é com pedras que se contrói uma casa.
Ninguém mora no buraco, mas ninguém pode sobreviver sem um!
Oco ou não,
você sempre carrega algo que não te permite ser,
mas nada impede que você não sinta querer,
não sinta viver.
quarta-feira, 24 de março de 2010
De volta ao Manicômio
Siga aqueles passos,
eles vão pela longa estrada sem fim...
Bem lá na frente existe um ser que carrega a escultura sacramentada,
o poder da verdade sobre a péble,
a força dos justos sobre os insanos.
Siga no caminho eterno,
ele te leva à jornada maravilhosa.
Dizem que no fim do túneo existe uma luz,
mas para mim, neste caminho não existia nem teto,
eu tinha certeza que caminhava sobre as flores coloridas do jardim puro.
Eu usava aquela veste,
e tinha certeza que ela teria o reflexo da minha vela,
que ela levaria comigo o doce perfume daquele jardim
e que nunca me diria: "Isso é um engano"
Ainda tento acreditar que meu sorriso era de verdade,
e que meus olhos nunca se encheram de lágrimas por esse motivo.
Tento me forçar a não olhar no espelho,
é difícil ver minha camisa de força,
ainda mais quando ela me segue por muitos anos mesmo que semi breve desamarrada.
Ela me atormenta nos sonhos,
me diz que tudo não passou de um efeito colateral
e que até ontem,
eu não era nada mais que um adicto.
Minhas lágrimas, eram pelo vício,
meu sorriso, pela alucinação,
as vozes, não eram de mentira,
e a minha meia, me prova que isso nunca deixou de ser verdade,
mesmo que hoje eu perceba que o "remédio" que me deram
não era pra me "concertar"!
eles vão pela longa estrada sem fim...
Bem lá na frente existe um ser que carrega a escultura sacramentada,
o poder da verdade sobre a péble,
a força dos justos sobre os insanos.
Siga no caminho eterno,
ele te leva à jornada maravilhosa.
Dizem que no fim do túneo existe uma luz,
mas para mim, neste caminho não existia nem teto,
eu tinha certeza que caminhava sobre as flores coloridas do jardim puro.
Eu usava aquela veste,
e tinha certeza que ela teria o reflexo da minha vela,
que ela levaria comigo o doce perfume daquele jardim
e que nunca me diria: "Isso é um engano"
Ainda tento acreditar que meu sorriso era de verdade,
e que meus olhos nunca se encheram de lágrimas por esse motivo.
Tento me forçar a não olhar no espelho,
é difícil ver minha camisa de força,
ainda mais quando ela me segue por muitos anos mesmo que semi breve desamarrada.
Ela me atormenta nos sonhos,
me diz que tudo não passou de um efeito colateral
e que até ontem,
eu não era nada mais que um adicto.
Minhas lágrimas, eram pelo vício,
meu sorriso, pela alucinação,
as vozes, não eram de mentira,
e a minha meia, me prova que isso nunca deixou de ser verdade,
mesmo que hoje eu perceba que o "remédio" que me deram
não era pra me "concertar"!
terça-feira, 23 de março de 2010
Lugar
Qual é o seu?
Quem nunca pensou,
talvez já seja a hora!
Quando se vinga a morte da amada,
e se fica entre a cruz e a espada,
talvez seja a hora de rever seu cavalo,
ou quem sabe, sua arma!
Quando se perde a luz,
e se fica "sem os olhos",
o momento é oportuno.
Quando soa o silêncio dos frios olhos que você não vê,
talvez ainda seja a chance de aquecer
o espaço que você quer pretender.
Quem nunca pensou,
talvez já seja a hora!
Quando se vinga a morte da amada,
e se fica entre a cruz e a espada,
talvez seja a hora de rever seu cavalo,
ou quem sabe, sua arma!
Quando se perde a luz,
e se fica "sem os olhos",
o momento é oportuno.
Quando soa o silêncio dos frios olhos que você não vê,
talvez ainda seja a chance de aquecer
o espaço que você quer pretender.
segunda-feira, 22 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Pedra 22
Forte,
fraca vida,
grande vida,
meia vida,
nada vida,
inteira vida,
meio termo.
Doce,
meio doce,
meia vida,
doce meia,
meio amarga,
meio azeda,
meia doce vida amarga.
Cor,
preto e branco,
doce encanto,
meio azedo,
doce enredo,
vida clara,
meia luz,
meia cruz,
meio céu,
meio véu,
forte fél.
Pra você não tem nexo!
fraca vida,
grande vida,
meia vida,
nada vida,
inteira vida,
meio termo.
Doce,
meio doce,
meia vida,
doce meia,
meio amarga,
meio azeda,
meia doce vida amarga.
Cor,
preto e branco,
doce encanto,
meio azedo,
doce enredo,
vida clara,
meia luz,
meia cruz,
meio céu,
meio véu,
forte fél.
Pra você não tem nexo!
domingo, 7 de março de 2010
Estrelas
"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"
Antoine De Saint-Exupery, "O Pequeno Príncipe"
Antoine De Saint-Exupery, "O Pequeno Príncipe"
segunda-feira, 1 de março de 2010
Couraça
Eu a amolei várias vezes,
peguei-lhe com carinho,
e sem machucar, cortei seu pelo nos dias de verão,
sei que isso não lhe agradava,
mas nas noites frescas você queria me agradecer,
e eu adorava ter novas mantas com seu pelo.
Cuidei do seu couro,
e como cuidei,
sabia que ele era valioso,
e por isso eu nunca lhe fiz um corte sequer,
muito menos deixei que lhe ferissem
ou que lhe deixassem sem alimento.
Seu couro era o mais perfeito,
mais bem cuidado e macio,
com certeza seria uma ótima vestimenta.
Mas hoje acordei ouvindo vozes:
Enforquem-no,
arranquem-no os olhos,
puxem a corda sem dó;
e então abri os olhos sentindo uma pedrada na face,
era tudo muito escuro,
via minusculas frestas de luz que passavam pelo saco de tecido preto que cobria minha cabeça.
Ensacado,
tentei me movimentar e percebi que meus braços estavam imóveis,
e eu estava em pé sobre um chão oco,
senti a vibração das vozes nos meus pés descalços
e o seu cheiro muito familiar no pano de saco.
Puxaram a corda,
eu me lembrei de você,
o chão se abriu,
eu senti seu cheiro,
o saco que me cegava caiu,
e eu vi seu couro macio
na manta que me imobilizava o tronco.
Tudo foi escurecendo,
os presentes gritavam
e eu, com ódio, ouvia os gemidos da dor que você nunca sentiu
"doce ovelha cruel"
e sentia o aperto do couro que eu mesmo tratei.
peguei-lhe com carinho,
e sem machucar, cortei seu pelo nos dias de verão,
sei que isso não lhe agradava,
mas nas noites frescas você queria me agradecer,
e eu adorava ter novas mantas com seu pelo.
Cuidei do seu couro,
e como cuidei,
sabia que ele era valioso,
e por isso eu nunca lhe fiz um corte sequer,
muito menos deixei que lhe ferissem
ou que lhe deixassem sem alimento.
Seu couro era o mais perfeito,
mais bem cuidado e macio,
com certeza seria uma ótima vestimenta.
Mas hoje acordei ouvindo vozes:
Enforquem-no,
arranquem-no os olhos,
puxem a corda sem dó;
e então abri os olhos sentindo uma pedrada na face,
era tudo muito escuro,
via minusculas frestas de luz que passavam pelo saco de tecido preto que cobria minha cabeça.
Ensacado,
tentei me movimentar e percebi que meus braços estavam imóveis,
e eu estava em pé sobre um chão oco,
senti a vibração das vozes nos meus pés descalços
e o seu cheiro muito familiar no pano de saco.
Puxaram a corda,
eu me lembrei de você,
o chão se abriu,
eu senti seu cheiro,
o saco que me cegava caiu,
e eu vi seu couro macio
na manta que me imobilizava o tronco.
Tudo foi escurecendo,
os presentes gritavam
e eu, com ódio, ouvia os gemidos da dor que você nunca sentiu
"doce ovelha cruel"
e sentia o aperto do couro que eu mesmo tratei.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Porre Pote
É difícil ouvir da boca de alguém que você espera a resposta da sua vida, uma meia verdade. É como abrir o baú do tesouro e descobrir que nele só existe uma moeda e que ainda nem é muito valiosa.
Acho que não queria ter descoberto esse "tesouro", acho que queria ficar com a chave, apenas a chave, para sempre...
Mas uma hora ela ia ter que encontrar a sua casa e encaixar-se lá, afinal, é para isso que chaves servem.
Mas o que se faz quando não se quer mais o tesouro que está lá dentro? Joga-se a chave pela janela do carro enquanto viaja?
Sempre acreditei na historia do pote de ouro no fim do arco-íris, e mesmo hoje sabendo que é mentira, nunca deixo de lembrar dele quando o arco-íris aparece!
Acho que não queria ter descoberto esse "tesouro", acho que queria ficar com a chave, apenas a chave, para sempre...
Mas uma hora ela ia ter que encontrar a sua casa e encaixar-se lá, afinal, é para isso que chaves servem.
Mas o que se faz quando não se quer mais o tesouro que está lá dentro? Joga-se a chave pela janela do carro enquanto viaja?
Sempre acreditei na historia do pote de ouro no fim do arco-íris, e mesmo hoje sabendo que é mentira, nunca deixo de lembrar dele quando o arco-íris aparece!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Questões
Perguntas simples,
respostas claras.
Quão fácil queria que fosse as respostas
das perguntas que eu nem sei fazer.
Queria respostas curtas,
perguntas tolas,
bobas aparentemente.
Nada de complexo ou tenso,
queria só palavras curtas,
infladas com meu ar,
sem a dor do meu estar.
Simples dor
canto horror,
cócegas
fraldas
confetes
Quero te perguntar o porque de não estar
quero te responder o porque do não saber
queria entender o porque de não ser,
mas minha verdade salta a vóz da pergunta muda
e responde as fronteiras da dor absurda.
respostas claras.
Quão fácil queria que fosse as respostas
das perguntas que eu nem sei fazer.
Queria respostas curtas,
perguntas tolas,
bobas aparentemente.
Nada de complexo ou tenso,
queria só palavras curtas,
infladas com meu ar,
sem a dor do meu estar.
Simples dor
canto horror,
cócegas
fraldas
confetes
Quero te perguntar o porque de não estar
quero te responder o porque do não saber
queria entender o porque de não ser,
mas minha verdade salta a vóz da pergunta muda
e responde as fronteiras da dor absurda.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Sintomático
Conte-me aquilo que pensa,
Não escolha a hora, nem o local,
apenas conte-me.
Abra sua caixa, e mostre-me as fotos do passado,
as imagens que te guardam sem papel
sem tamanho nem margem,
fale sobre os acontecimentos, dos momentos das lembranças,
das dores e sentimentos
das vestes e das flores.
Lembre-se que com o passar do tempo
tudo começa a manchar.
Então, conte-me antes que manche,
deixe-me saber das verdades que te escondem das manchas
e dos falsos remédios que te escondem da vida.
Conte-me sobre teus segredos nefastos,
melancólicos, ilegais,
Sobre os "podres"
os "santos"
os "irreais".
Invente-me histórias trocadas,
parábolas cantadas
ou até mesmo frases irregulares.
Mas conte-me,
conte-me tudo aquilo que te esconde.
Pois só me falta saber pela tua boca,
tudo aquilo que teu corpo já me contou.
Não escolha a hora, nem o local,
apenas conte-me.
Abra sua caixa, e mostre-me as fotos do passado,
as imagens que te guardam sem papel
sem tamanho nem margem,
fale sobre os acontecimentos, dos momentos das lembranças,
das dores e sentimentos
das vestes e das flores.
Lembre-se que com o passar do tempo
tudo começa a manchar.
Então, conte-me antes que manche,
deixe-me saber das verdades que te escondem das manchas
e dos falsos remédios que te escondem da vida.
Conte-me sobre teus segredos nefastos,
melancólicos, ilegais,
Sobre os "podres"
os "santos"
os "irreais".
Invente-me histórias trocadas,
parábolas cantadas
ou até mesmo frases irregulares.
Mas conte-me,
conte-me tudo aquilo que te esconde.
Pois só me falta saber pela tua boca,
tudo aquilo que teu corpo já me contou.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Um breve conto mágico
Uma rua,
uma meia luz,
uma brisa.
Brilham luzes sobre nós,
os recipientes translúcidos deixam transparecer o líquido espumante,
ele borbulha e espuma,
querendo produzir a mágica da visão.
As companhias são as melhores,
o clima vai mudando,
fresco, vento, céu iluminado,
uma conversa boa
e de repente,
uma primeira vez.
Um ato de mágica se transforma em brilho,
cortando o céu e iluminando meus olhos.
Uma voz amiga:
Você viu?
Pela primeira vez pude responder: Eu vi!
uma meia luz,
uma brisa.
Brilham luzes sobre nós,
os recipientes translúcidos deixam transparecer o líquido espumante,
ele borbulha e espuma,
querendo produzir a mágica da visão.
As companhias são as melhores,
o clima vai mudando,
fresco, vento, céu iluminado,
uma conversa boa
e de repente,
uma primeira vez.
Um ato de mágica se transforma em brilho,
cortando o céu e iluminando meus olhos.
Uma voz amiga:
Você viu?
Pela primeira vez pude responder: Eu vi!
Santeiro
Maldita seja,
sagrada crueldade,
antes que venha tarde,
a pregada igualdade da desigualdade.
Cantem, cantem bem alto e graciosamente,
imitem os tambores que anunciam a derrota da vida.
Fechem os portões,
os sujos pedem abrigo.
Suas feridas jorram palavras,
que como fel
corroem seus falsos âmagos.
Ó povo regularizado
que fala sobre as grades,
engulam seus santos votos afiados,
afinem seus coros de ceiar discórdia,
antes que cedo venha o riso que te agrada a dor.
Sintam compaixão própria,
vocês não precisam disso,
seu azeite já derramou há tempos,
e agora,
é hora de plantar no oliveiral.
Plantem outras coisas santas,
que não sejam perfuradas,
nem enforcadas,
mas que firam claramente.
A hemorragia interna leva à morte,
e escolher curar-se da morte
já é um arbítrio digno.
sagrada crueldade,
antes que venha tarde,
a pregada igualdade da desigualdade.
Cantem, cantem bem alto e graciosamente,
imitem os tambores que anunciam a derrota da vida.
Fechem os portões,
os sujos pedem abrigo.
Suas feridas jorram palavras,
que como fel
corroem seus falsos âmagos.
Ó povo regularizado
que fala sobre as grades,
engulam seus santos votos afiados,
afinem seus coros de ceiar discórdia,
antes que cedo venha o riso que te agrada a dor.
Sintam compaixão própria,
vocês não precisam disso,
seu azeite já derramou há tempos,
e agora,
é hora de plantar no oliveiral.
Plantem outras coisas santas,
que não sejam perfuradas,
nem enforcadas,
mas que firam claramente.
A hemorragia interna leva à morte,
e escolher curar-se da morte
já é um arbítrio digno.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
As flores
Com minhas mãos eu a peguei,
ela era linda,
uma flor perfumada, de cor inigualável.
Não tive dúvida,
coloquei-a no bolso e continuei a caminhar,
eu estava em uma estrada,
longa, eu acreditava,
e finalizada no horizonte.
Observei no meu caminho várias flores iguais a que eu possuia
e no fim, lá longe,
eu via certos pontos de cores diferentes,
talvez fossem flores novas.
Com medo,
sentei-me na estrada,
inspirei o cheiro agradável daquelas flores que estavam ao meu redor,
até que,
bêbado,
resolvi andar e caminhar mais um pouco...
O sol ardia,
eu estava meio desidratado,
mas continuei a andar olhando para as pedras do caminho,
únicas.
De repente, notei-me cercado por um certo tom diferente,
parecia algo irreal,
e então observei que as flores que antes estavam longe,
agora me cercavam com sua graça.
Coloquei a mão no bolso e encontrei aquela antiga flor,
agora murcha, feia e mal cheirosa,
e resolvi jogá-la ali,
no chão,
entre as belas,
para poder apoderar-me de uma nova,
perfumada e colorida únicamente.
A peguei carinhosamente e coloquei no meu bolso,
resolvi não cheirá-la tanto para não "gastar" a beleza,
e continuei andando.
Bem breve, me senti com o coração apertado
e resolvi voltar para pegar a flor que eu havia jogado fora,
pois afinal, ela havia caminhado comigo por algum tempo,
Mas quando olhei para trás,
notei que as pedras do caminho iam se desfazendo conforme minha passagem,
até que este então deixava de existir.
Apavorei-me e começei a correr,
As flores começaram a mudar de cor,
agressivamente,
muitas cores começaram a inundar o redor do caminho pela frente,
e então
deparei-me com a pior coisa da minha vida:
Uma bifurcação.
Olhei para trás,
o caminho que se desfazia parou encostado nos meus calcanhares
Respirei fundo e percebei que
algumas flores eram iguais as que eu ja tinha visto,
e as que ficavam entre a bifurcação,
eram diferentes,
muito diferentes.
Olhei para a história que estava deixando de existir fisicamente
Percebi meu coração saltitando,
inspirei novamente os perfumes exalados
Olhei para o sol no intervalo dos caminhos
e sai correndo entre as flores diferentes.
ela era linda,
uma flor perfumada, de cor inigualável.
Não tive dúvida,
coloquei-a no bolso e continuei a caminhar,
eu estava em uma estrada,
longa, eu acreditava,
e finalizada no horizonte.
Observei no meu caminho várias flores iguais a que eu possuia
e no fim, lá longe,
eu via certos pontos de cores diferentes,
talvez fossem flores novas.
Com medo,
sentei-me na estrada,
inspirei o cheiro agradável daquelas flores que estavam ao meu redor,
até que,
bêbado,
resolvi andar e caminhar mais um pouco...
O sol ardia,
eu estava meio desidratado,
mas continuei a andar olhando para as pedras do caminho,
únicas.
De repente, notei-me cercado por um certo tom diferente,
parecia algo irreal,
e então observei que as flores que antes estavam longe,
agora me cercavam com sua graça.
Coloquei a mão no bolso e encontrei aquela antiga flor,
agora murcha, feia e mal cheirosa,
e resolvi jogá-la ali,
no chão,
entre as belas,
para poder apoderar-me de uma nova,
perfumada e colorida únicamente.
A peguei carinhosamente e coloquei no meu bolso,
resolvi não cheirá-la tanto para não "gastar" a beleza,
e continuei andando.
Bem breve, me senti com o coração apertado
e resolvi voltar para pegar a flor que eu havia jogado fora,
pois afinal, ela havia caminhado comigo por algum tempo,
Mas quando olhei para trás,
notei que as pedras do caminho iam se desfazendo conforme minha passagem,
até que este então deixava de existir.
Apavorei-me e começei a correr,
As flores começaram a mudar de cor,
agressivamente,
muitas cores começaram a inundar o redor do caminho pela frente,
e então
deparei-me com a pior coisa da minha vida:
Uma bifurcação.
Olhei para trás,
o caminho que se desfazia parou encostado nos meus calcanhares
Respirei fundo e percebei que
algumas flores eram iguais as que eu ja tinha visto,
e as que ficavam entre a bifurcação,
eram diferentes,
muito diferentes.
Olhei para a história que estava deixando de existir fisicamente
Percebi meu coração saltitando,
inspirei novamente os perfumes exalados
Olhei para o sol no intervalo dos caminhos
e sai correndo entre as flores diferentes.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Mesa
Garçon,
Me traz uma palavra!
Quero uma bem composta,
com tempero diferente,
que não seja preta e branco
e que traga algum sentido.
Pode ser algo simples,
uma composição básica,
mas que seja marcante.
Não quero esquecer o gosto por algum tempo
e quero dormir lembrando!
Traga me um daqueles baldes,
bem carregados de letras,
talvez o maior,
para que caiba no meu peito a E,
e que forme com minha X
um I que tenha fome de S
mas que carregue aquele gosto de T
que traz uma mEmória,
quereNdo me Contar
algo com gosto de Infância
e que leve a A à tolerância.
No seu cardápio tem um balde de verdade
com cheiro de essência?
Exclua-o!
Hoje eu quero o balde que você não vende,
dúvidas compostas e quase impensáveis,
junto com perguntas doces e amargas,
temperadas com gotas de limão caipira,
aquele que tem gosto de proximidade.
E mesmo que depois eu seja rei numa história privada,
deixe-me ver os segredos da sua mesa torta.
Hoje eu resolvi trocar o gosto,
e preciso de outros já,
antes que eu escolha mudar de bar.
Me traz uma palavra!
Quero uma bem composta,
com tempero diferente,
que não seja preta e branco
e que traga algum sentido.
Pode ser algo simples,
uma composição básica,
mas que seja marcante.
Não quero esquecer o gosto por algum tempo
e quero dormir lembrando!
Traga me um daqueles baldes,
bem carregados de letras,
talvez o maior,
para que caiba no meu peito a E,
e que forme com minha X
um I que tenha fome de S
mas que carregue aquele gosto de T
que traz uma mEmória,
quereNdo me Contar
algo com gosto de Infância
e que leve a A à tolerância.
No seu cardápio tem um balde de verdade
com cheiro de essência?
Exclua-o!
Hoje eu quero o balde que você não vende,
dúvidas compostas e quase impensáveis,
junto com perguntas doces e amargas,
temperadas com gotas de limão caipira,
aquele que tem gosto de proximidade.
E mesmo que depois eu seja rei numa história privada,
deixe-me ver os segredos da sua mesa torta.
Hoje eu resolvi trocar o gosto,
e preciso de outros já,
antes que eu escolha mudar de bar.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Ondulações
Ouço o balanço das ondas
E fico esperando para ver as sinuosas marcas que elas fazem na areia,
A pressa para vê-las é tanta que nem percebo que atravessei a praia olhando fixamente para as curvas que se formavam no horizonte.
"Estou a espera da onda marcada sobre a areia."
Essa é a frase que me vem a cabeça quando penso em porque estar aqui.
Achei esse lugar muito deserto e resolvi enchê-lo de gente enquanto espera as formas das ondas.
Ajoelhei-me e começei a desenhar pegadas na areia;
Nada melhor que encher um lugar com pessoas.
De repente, senti que a onda esperada estava chegando,
preparei-me calorosamente para recebê-la e senti sua fresca água tocar meus pés,
fechei os olhos,
senti o mundo,
e quando os abri, notei que as pegadas que eu havia desenhado não estavam mais ali.
Meus olhos se encheram,
quis gritar,
mas olhei para trás,
e notei que havia um rastro de pegadas que traziam até a mim.
Fechei meus olhos,
presenciei a minha existência.
Peguei minha mão e entrei na água,
fria e agitada,
Não pensei em mais nada
só fechei os olhos na esperança de sentir as bolhas que se formavam pelo movimento da água subirem o meu corpo.
Esperei, esperei
senti frio,
sai da água.
Olhei o sol tocando minhas pegadas,
corri novamente e pulei,
sem esperança nenhuma me joguei,
de olhos bem fechados.
Achei ter sonhado
que bolhas me carregavam mar a dentro,
e só então acordei
acompanhado das sombras que as ondas deixavam
na areia que sustentava meu corpo,
com a água que recostava meu ser,
as bolhas que se fixavam em mim quando com a água
e aquelas pegadas, minhas,
mas ainda existentes na areia.
E fico esperando para ver as sinuosas marcas que elas fazem na areia,
A pressa para vê-las é tanta que nem percebo que atravessei a praia olhando fixamente para as curvas que se formavam no horizonte.
"Estou a espera da onda marcada sobre a areia."
Essa é a frase que me vem a cabeça quando penso em porque estar aqui.
Achei esse lugar muito deserto e resolvi enchê-lo de gente enquanto espera as formas das ondas.
Ajoelhei-me e começei a desenhar pegadas na areia;
Nada melhor que encher um lugar com pessoas.
De repente, senti que a onda esperada estava chegando,
preparei-me calorosamente para recebê-la e senti sua fresca água tocar meus pés,
fechei os olhos,
senti o mundo,
e quando os abri, notei que as pegadas que eu havia desenhado não estavam mais ali.
Meus olhos se encheram,
quis gritar,
mas olhei para trás,
e notei que havia um rastro de pegadas que traziam até a mim.
Fechei meus olhos,
presenciei a minha existência.
Peguei minha mão e entrei na água,
fria e agitada,
Não pensei em mais nada
só fechei os olhos na esperança de sentir as bolhas que se formavam pelo movimento da água subirem o meu corpo.
Esperei, esperei
senti frio,
sai da água.
Olhei o sol tocando minhas pegadas,
corri novamente e pulei,
sem esperança nenhuma me joguei,
de olhos bem fechados.
Achei ter sonhado
que bolhas me carregavam mar a dentro,
e só então acordei
acompanhado das sombras que as ondas deixavam
na areia que sustentava meu corpo,
com a água que recostava meu ser,
as bolhas que se fixavam em mim quando com a água
e aquelas pegadas, minhas,
mas ainda existentes na areia.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Insano
Dura e cortante,
assim é a gélida lâmina da navalha que se passa pela pele.
Uma pele fina, ultra sensível,
totalmente vermelha e frágil.
Ó quão cruel são os olhos que te cortam, coração,
Esperava eu que pontas afiadas os encontrassem.
Mas quão triste seria a vida sem eles,
sem uma sucumbida cor.
Viveria então apenas com a imagem do cheiro ou do gosto
daquilo que um dia foi retrato visto vivo.
A, se pudesse eu,
ter escolhido entre o sim e o não,
sabendo que a vida pela frente me aguardava
com as mãos cortadas.
Não teria eu escolhido passar vontade
De ter você pra mim,
de falar de mim à você,
de fazer joguinho com minhas palavras
e te cortar a armadura com meus olhos.
Antes fosse simples
encostar na lata que vesti
sem me lembrar da dura lâmina
que me enfiava a pele fina vermelha,
e cortava,
dor insana e vívida,
sangrava.
Assim era
o coração misto de ti e mim
num insalubre não saber daquilo que escondia
dos meus olhos,
que com minha própria lâmina
insanamente arranquei.
assim é a gélida lâmina da navalha que se passa pela pele.
Uma pele fina, ultra sensível,
totalmente vermelha e frágil.
Ó quão cruel são os olhos que te cortam, coração,
Esperava eu que pontas afiadas os encontrassem.
Mas quão triste seria a vida sem eles,
sem uma sucumbida cor.
Viveria então apenas com a imagem do cheiro ou do gosto
daquilo que um dia foi retrato visto vivo.
A, se pudesse eu,
ter escolhido entre o sim e o não,
sabendo que a vida pela frente me aguardava
com as mãos cortadas.
Não teria eu escolhido passar vontade
De ter você pra mim,
de falar de mim à você,
de fazer joguinho com minhas palavras
e te cortar a armadura com meus olhos.
Antes fosse simples
encostar na lata que vesti
sem me lembrar da dura lâmina
que me enfiava a pele fina vermelha,
e cortava,
dor insana e vívida,
sangrava.
Assim era
o coração misto de ti e mim
num insalubre não saber daquilo que escondia
dos meus olhos,
que com minha própria lâmina
insanamente arranquei.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Bilhete
Ontem te vi andando,
Você parecia diferente e algo nos aguçava o olhar.
Não era o fato de estarmos em uma estação de trem
E sim de que o relógio dela não chamava mais atenção que seu sorriso.
Esperamos o tocar das badaladas do imenso relógio
E lá estava você, esperando para ouví-lo.
Foi sua fábrica quem o produziu, e talvez isso te levasse até lá,
Pelo menos era o que acreditavam todos.
De repente você saiu correndo sobre o grande chão de mármore
e só conseguiamos ver seu reflexo passando por entre a multidão,
Até que o observamos parado frente a bilheteria.
Encantados com seu retorno, você trazia
em uma mão, algo que estava amassado,
e na outra, dois ponteiros de um relógio.
Não te perguntamos o por que, mas fomos com você até o trem
Você estava com algum receio para entrar, e pensamos até mesmo em te pedir para não subir
Mas quando consegui ver seus olhos,
Sem nenhuma dúvida, não havia outra palavra a não ser: Suba
Você pensou, olhou para os ponteiros,
Notou o relógio vazio da estação,
E rapidamente entrou no trem...
Sua cadeira estava lá, separada na janela,
sentou-se, olhou ao redor,
Seus olhos brilharam como nunca e nós sorrimos.
O trem fumaceou o espaço,
você sorriu.
E então,
O relógio que para muitos estava parado, voltou a funcionar,
Agora todos podiam ouvir suas novas badaladas.
O trem apitou,
você mostrou o bilhete amarelo que escondia na mão
E nós, que nunca perdemos o som do velho relógio
Nos levantamos e aplaudimos em pé
O engrenado que na verdade nunca parou,
e que agora possuia belos novos ponteiros...
Você parecia diferente e algo nos aguçava o olhar.
Não era o fato de estarmos em uma estação de trem
E sim de que o relógio dela não chamava mais atenção que seu sorriso.
Esperamos o tocar das badaladas do imenso relógio
E lá estava você, esperando para ouví-lo.
Foi sua fábrica quem o produziu, e talvez isso te levasse até lá,
Pelo menos era o que acreditavam todos.
De repente você saiu correndo sobre o grande chão de mármore
e só conseguiamos ver seu reflexo passando por entre a multidão,
Até que o observamos parado frente a bilheteria.
Encantados com seu retorno, você trazia
em uma mão, algo que estava amassado,
e na outra, dois ponteiros de um relógio.
Não te perguntamos o por que, mas fomos com você até o trem
Você estava com algum receio para entrar, e pensamos até mesmo em te pedir para não subir
Mas quando consegui ver seus olhos,
Sem nenhuma dúvida, não havia outra palavra a não ser: Suba
Você pensou, olhou para os ponteiros,
Notou o relógio vazio da estação,
E rapidamente entrou no trem...
Sua cadeira estava lá, separada na janela,
sentou-se, olhou ao redor,
Seus olhos brilharam como nunca e nós sorrimos.
O trem fumaceou o espaço,
você sorriu.
E então,
O relógio que para muitos estava parado, voltou a funcionar,
Agora todos podiam ouvir suas novas badaladas.
O trem apitou,
você mostrou o bilhete amarelo que escondia na mão
E nós, que nunca perdemos o som do velho relógio
Nos levantamos e aplaudimos em pé
O engrenado que na verdade nunca parou,
e que agora possuia belos novos ponteiros...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Alforria
[Leia de forma crescente (de baixo para cima)]
Finalmente posso pensar em falar!
Eles dizem voltei!
Escute, escute os tambores
Ele veio de longe, tocando melodicamente através das correntes
Mas eis que hoje surgiu um som
Tudo era silêncio até então
E como vocês puderam ver
Eu presenciei a cena
Sei que não era agradável
Na verdade, era uma escrava prisão, diferente, mas escravidão
Parecia uma cadeia
Não entendia o encarceramento
Mas estava aqui
Encarcerado até então
Eu estava aqui
Finalmente posso pensar em falar!
Eles dizem voltei!
Escute, escute os tambores
Ele veio de longe, tocando melodicamente através das correntes
Mas eis que hoje surgiu um som
Tudo era silêncio até então
E como vocês puderam ver
Eu presenciei a cena
Sei que não era agradável
Na verdade, era uma escrava prisão, diferente, mas escravidão
Parecia uma cadeia
Não entendia o encarceramento
Mas estava aqui
Encarcerado até então
Eu estava aqui
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Bafo desabafo
Queria te dizer muitas coisas, mas nunca sei por onde começar! Nem mesmo sei se seria cabível, mas se aqui estou, por que não arriscar?
Seria melhor um início simples com palavras legíveis, mas quanto mais a vontade eu me sentir, melhor será para reconhecer o que queria dizer e não consigo na verba.
Hoje eu precisava de você, precisa de um sorriso que fosse meu, um abraço que fosse meu...
Me recostei num corpo quente esperando afago, obtive por um tempo, meus olhos se molharam, mas não consigui descobrir a profundida do buraco. Não consegui deixar escorrer, ainda me prendo a palavra forte e quando me lembro que ela existe, recorro a palavra medo, que para mim nunca foi aceitável.
Nunca tive a sensação de pular de um prédio, mas talvez seja mais ou menos isso: a tensão da solidão, o peso da sua cabeça e a ansiedade para se livrar de algo que te incomoda. Não, mas acho que mesmo assim não é tão similar, nesta situação ainda existe algo incomum, algo que só quem pula tem, uma experiência só dele!
Queria ter algo só meu, mas nem minha crítica é mais só minha, hoje descobri que me igualo a você, e por isso sua falha é tão mais forte para mim. Me apego ao carinho que tenho pelos outros, e isso mesmo assim não é apenas meu, pois o carinho é dos outros. Ainda fico em dívida comigo.
Não entendo mais nada e gostaria muito de poder compartilhar com você a verdade,
Mas estou muito confuso e neste momento acho que só preciso ter um ombro que seja só meu!
Seria melhor um início simples com palavras legíveis, mas quanto mais a vontade eu me sentir, melhor será para reconhecer o que queria dizer e não consigo na verba.
Hoje eu precisava de você, precisa de um sorriso que fosse meu, um abraço que fosse meu...
Me recostei num corpo quente esperando afago, obtive por um tempo, meus olhos se molharam, mas não consigui descobrir a profundida do buraco. Não consegui deixar escorrer, ainda me prendo a palavra forte e quando me lembro que ela existe, recorro a palavra medo, que para mim nunca foi aceitável.
Nunca tive a sensação de pular de um prédio, mas talvez seja mais ou menos isso: a tensão da solidão, o peso da sua cabeça e a ansiedade para se livrar de algo que te incomoda. Não, mas acho que mesmo assim não é tão similar, nesta situação ainda existe algo incomum, algo que só quem pula tem, uma experiência só dele!
Queria ter algo só meu, mas nem minha crítica é mais só minha, hoje descobri que me igualo a você, e por isso sua falha é tão mais forte para mim. Me apego ao carinho que tenho pelos outros, e isso mesmo assim não é apenas meu, pois o carinho é dos outros. Ainda fico em dívida comigo.
Não entendo mais nada e gostaria muito de poder compartilhar com você a verdade,
Mas estou muito confuso e neste momento acho que só preciso ter um ombro que seja só meu!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Viagem 21
Hilariamente, falar sobre viagem nos remete a fazer aquela trouxa no lenço de bolinhas e encaixar no bastão... Gostaria muito de estar falando apenas disso, já até me vejo pegando minhas calças, camisetas lisas, tênis, cuecas, meias e adornos, enrolando tudo no lençol que eu mais gosto e colocando no trilho da cortina do meu quarto. Seria tão simples se fosse fácil abrir a porta deste local e sair por ele sem rumo, buscando um "lugar nenhum".
Minhas viagens normalmente nos levam a um "lugar qualquer", buscando apenas chegar a um "nenhum lugar" a partir da sua concepção de viagem. Quero convidá-los a uma viagem diferente, na qual a porta de saída não existe e a mala é simplesmente você!
"Mal/Bem Vindo" a uma tripulação cujo o nome é incerto, o caminho é instável, as armadilhas são inconscientemente conhecidas e os tropeços/degraus te levam a lugares onde ninguém nunca chegou... Mal/Bem Vindo a existência da Vida!
Minhas viagens normalmente nos levam a um "lugar qualquer", buscando apenas chegar a um "nenhum lugar" a partir da sua concepção de viagem. Quero convidá-los a uma viagem diferente, na qual a porta de saída não existe e a mala é simplesmente você!
"Mal/Bem Vindo" a uma tripulação cujo o nome é incerto, o caminho é instável, as armadilhas são inconscientemente conhecidas e os tropeços/degraus te levam a lugares onde ninguém nunca chegou... Mal/Bem Vindo a existência da Vida!
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