quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Luta vã

Se pudesse falar com a lua, diria que preciso de força.
Já lutei contra muitas coisas e digamos que insisti, mesmo nas lutas em que fui derrotado.
Lutei contra milagres, dores, alegrias, tristezas, choros, medos, apegos, temores, sorrisos. Lutei contra vidas mal amadas, contra feridas mal curadas, chuvas, curvas e águas turvas.
Já canalizei a água da chuva e criei imensos lagos, já tentei dobrar um rio, e encurtar uma cachoeira. Lutei contra formigueiros, vaga lumes, guerras de barro e até mesmo contra seres surreais. Inventei guerras de bexiga, travesseiro e toalha. Encurtei longos canudos, comi os inimigos de marshmallow, já devorei as frutas que lutavam contra minha fome e já matei animais que invadiram minha casa.
Lutei contra falsos profetas, contra falsos amigos, falsos queridos. Contra miguezeiros, contra interesseiras, contra atormentadoras. Lutei contra o desejo dos outros, contra o meu desejo, contra minhas vontades, contra minhas verdades e até contra meu corpo. Fiz de mim um campo de guerra...
A cada dia uma luta nova é proposta, e eu aceito, mesmo esperando perder.
Me jogo de cabeça, descrevendo inimigos, conhecendo os atritos, enfiando o corpo inteiro e faria muita coisa de novo, enfrentaria as mesmas batalhas, e talvez ganhasse algumas perdidas e perdesse algumas vencidas.
Mas hoje eu me rendo a uma luta em particular, me recuso a enfrentá-la:
Posso lutar contra tudo, mas não contra o amor.

Desculpa.

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