terça-feira, 20 de dezembro de 2011

É possível?

Hoje era um daqueles dias em que eu gostaria de poder chegar em casa e deitar naquele sofá, enquanto via você se aconchegando em mim. Triste é saber que estou indo dormir, enquanto consigo dormir bem e você, ficará acordado.
Eu durmo e fujo...
Fujo para bem longe, longe de mim, mas nada longe de você...
É possível ficar acordado sentindo seu afago enquanto meu corpo se desencontra do cansaço que o corrói?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estranheza

Andando pela rua
eu vejo
um casal de pássaros,
um casal de carros,
um casal de cachorros,
um casal de flores,
um casal de árvores,
um casal de fios,
um casal de calçadas,
um casal de telefones,
um casal de prédios,
e eu,
só.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Você vem conseguindo me fazer entender muitas coisas.
É possível sim encontrar a felicidade como eu achei que a pudesse encontrar, assim como é possível vivê-la com alguém, sem medo e vergonha.
Sonhei uma boa parte da minha vida com tudo isso e, ter vivenciado com você, foi comprovar que é possível.
Talvez ainda pense em você por ter sido a referência a tudo isso, mas talvez pense mesmo por querer viver tudo novamente, mais intensamente e comprovando que é possível estar junto de novo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Tudo o que fin
Da um novo come
Sossega meu pei
Tomara que sin
Tamanha alegri
Ao ver novo di
A ler nessa lin
Há tanto come
Sobrando no fim.

de Jhonata Rossi Candido

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É estranho. Eu havia construído um castelo para nós dois. Planejei e investi em muitas coisas, até quase assinei aquela revista que você gosta. Inventei coroas para um reinado diferente, distante do que pensavam de nós dois, distante de onde pensavam que nós dois poderíamos chegar. Sim, eu percebo hoje que planejei tudo sozinho, e sim, isso faz parte dos sonhos, é sempre individual. Mas o que esta acontecendo agora, é o que me chateia, perceber que todos os sonhos que eu havia planejado para nós, estão acontecendo, e acontecendo mais rápido do que eu imaginava, a diferença é que eu não vou te encontrar para contar todos eles quando você chegar, muito menos compartilhá-los com você quando eles estiverem se realizando, como agora! É, você vai perder tudo isso... que pena!

De novo!

Eu tentei te escrever milhares de coisas novas, e na verdade escrevi, só acho que elas são muito pessoais para serem publicadas aqui. Além de tudo, existe um dilema ainda maior, não conseguir escrever nada poético e mais profundo, me fez encontrar tantas coisas aqui nestas anotações que, eu percebi, nada do que esta acontecendo hoje é tão diferente do que já aconteceu outro dia... e o desfecho será o mesmo: aparecerá outra pessoa, ainda melhor que você, e conseguirá me fazer sentir milhares de vezes mais, o que eu acho que sinto hoje. Desculpa, mas é assim que acontece!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Se soubesses o quanto dói, dirias que é de urgência e viria como luz pra poder segurar minhas mãos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Porque as coisas têm que ser assim? Seria tão mais verdadeiro se as pessoas pudessem falar o que estão pensando/sentindo sem ter que seguir padrões, normas ou qualquer coisa do tipo!

domingo, 6 de novembro de 2011

Dez horas de sono e parece que estou deitado em pregos.
Minha cama me perfura? Não sei, meu corpo não esta sentindo o que deveria, talvez eu não tenha descansado, ou talvez eu não queira descansar? Porque desejar me ver no esgoto? Não sei, a gente nunca entende muitas coisas. Talvez seja difícil compreender o porque da minha cama estar assim, talvez seja difícil entender o porque de eu querer estar assim!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Só, no escuro, eu

Se foi o tempo em que estrelas brilhavam só para mim! Se foi aquilo que tornava o céu tão imenso e tão escuro. Sofrimento? Talvez, o bom é que a lua agora é só minha! Mesmo longe, continua sendo só minha! Observo-a atentamente, todas as noites, e comento comigo: "Belíssima, que bom que você ainda esta aqui!"

domingo, 30 de outubro de 2011

Os fins dos domingos são tediosos, eu sinto falta do seu gosto, eu sinto falta daquele programa tosco que só você gostava de assistir.
Eu sinto falta do sofá azul e do barulho do fantástico enquanto eu me refrescava no frio dos seus braços.
Eu sinto, mas agora isso tudo é lembrança, sentimento e saudade!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Complique

Complique cada dia mais... eu sempre digo que não sei mais o que fazer, mas, mesmo sabendo disso, cada dia mais parece que um novo poste foi colocado a beira da rua. Só vou conseguir atravessar a rua quando os carros pararem, mas isso vai depender do espaço, as vezes os postes podem cercá-la, dai, nem que eu queira será possível.
Não me diga o oposto, nada mais vai mudar meu sentimento de inutilidade. Chegou a hora de ser chato e perguntar... Contornar e tentar dar cambalhotas para você prestar atenção já foram métodos utilizados, agora chega, se eu quisesse fazer tudo isso e continuar sozinho no palco, teria ido a um circo, trabalhar de palhaço.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Olhe...

Se te pedisses, ó Lua, que ao menos me olhasse diferente...
Não sei, você só precisava entender isso,
ou talvez eu precisasse entender o contrário,
é preciso que eu te olhe diferente para você me olhar como eu quero?
Que pena, os olhares não se alteram como roupas!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dorme de uma vez...

Acordo assustado, olho pela janela, pisco várias vezes,
toco o abajur, acendo, apago, acendo...
Noite estranha.
Acordo várias vezes,
te procuro, te rabisco,
te sinto,
te cheiro,
acordo várias vezes.
Procuro,
procuro acordado,
espero sonhando,
espero acordado em sonho,
como a vida de quem já se foi mas continua aqui.
Acordo assustado,
acordo estranho,
buscando você
que não existe mais,
ou que nunca existiu
talvez,
só para mim.

domingo, 16 de outubro de 2011

Sacola de vida

Difícil foi ver seu nome em meu celular, após quase um mês dos acontecimentos. Difícil... li mais de uma vez para ter certeza se estava vendo aquilo mesmo, um nome que eu não esperava ligar e a voz que eu não esperava escutar tão breve, já que ela me remeteria a muitos acontecimentos que me causavam sensações que eu gostei de sentir. Estranho, o nome me levou até elas e, num segundo que eu esperei para ler mais uma vez, revivi 5 meses em um instante... Ligações, mensagens, apertos, "umbigos", mãos, boca, caixa de madeira a beira da cama com todos os meus bilhetes, uma foto nossa e todas os sonos cercados de carinhos e abraços.
Sim, foi difícil te atender mas, achei que seria muito mais difícil me deparar com uma sacola e todas os meus pertences dentro. Meus que antes também eram seus e que, por sinal, estavam na sua casa. Achei estranho e me senti um tanto quanto inseguro ao pegar a sacola... Achei que seria diferente mas, me deparei com o que não esperava: minha vida de volta. Receber minhas coisas foi como me ouvir falando: "agora nada mais me prende a você!"
Vamos, a vida ainda esta a minha frente me esperando....

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Faça-lhe estar vivo, torne possível... O que? Aquilo que você quiser! Seja vinho ou água... faça-a ser aquilo que sua sede pede.
Complicado entender como os dias vão se alterando a ponto de não parecerem complementares. Algumas coisas saltam de si mesmo, tornando vasos floridos, casas habitáveis, árvores frutíferas. Estranho não? Principalmente quando se planta um jardim morto e, ao amanhecer, se pode observar mais vida do que morte nele


Amanheci com ar de vida num dia nublado. Recluso, porém, esbanjando a imensidão do mundo.


Complicado entender nosso funcionamento...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

E pode começar a ficar insuportável todas as vezes que nos encontrarmos, todas as vezes que você quiser me abraçar e eu não estiver ai, todas as vezes que eu me virar e não esbarrar em você na cama. Todas as vezes que eu quiser esfriar a minha mão em seu corpo gelado e meu lençol já estiver quente por causa do meu calor, todas as vezes que você quiser se esquentar e precisar de mais cobertas, pode ficar insuportável, insuportável ver que eu não posso mais ser visto ai, mas lembre-se... Tudo isso foi uma escolha sua! Boa noite...

domingo, 25 de setembro de 2011

Quem é você que me dizia coisas tolas e me fazia sorrir num simples olhar? Não sei, você não é você!
Me engana, mas não continua se enganando... Tudo isso porque eu me deixei ser seu sentimento sem fazer você sentir.
Finge que sabe de mim. Finge, só finge, porque não sabe nem de você!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Agredido

Explique-me o porque de ser assim, não entendo o zero que foi posto num número que antes me dava gosto.
Explique das rodadas via pixe, das discadas via nulo, das mensagens via resposta.
Explique-me, mas explique-me sem palavras.
Eu sei que odeias dizer o porque, mas me deixar a imaginar pregos é quase me mostrar que vou ser crucificado, sem saber o dia, a hora e nem o porque.
Talvez palavras não esclareçam, talvez números não resolvam, talvez cartas não me acalmem.
A única coisa que me deixará em paz, será ver seus olhos.
Mas para isso, eu só não posso estar cultivado em vinagre...
Vinagre agride o gosto, azeda a língua,
vinagre não explica o oposto.
Explique-me, mas explique-me antes que eu vire vinagre.
Minha dor não é por perder,
minha dor é por não saber o porque estou perdendo.
Se perco ou não, na real, não sei,
o que me importa é que perder me deixa bicudo.
Sim, criança emburra quando perde,
eu também.
O problema é que,
perder junto, é mais sorriso,
perder sozinho
e sem saber porque,
é quase preparar o corpo de um desconhecido que,
você mesmo,
terá que velar!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vem, e volta pra dor que foi partir o vazio.
Se antes as palavras saltavam do findo infinito,
agora voltam para o inverso sem abrigo.
Calarei-me,
e deixarei de escrever,
até que a dor me tome de necessidade
para mostrar ao mundo que estou vivo
e que sinto.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ffff....

Se lembra daquela vela,
aquela que pouco iluminava,
mas que quase nada me escondia?
A apaguei.
Tentar esconder? Nunca,
as marcas da parafina estão aqui
e, mesmo sem luz,
eu ainda as sinto e vejo, como se
existisse em mim
mais que um refletor,
um farol que,
por 24h,
me lembra da vela que eu acendi
e eu mesmo assoprei.

Vago

Meu coração esta nos meus dentes e eu não sei como estou deixando isso acontecer.
Tenho com você uma coisa que nunca tive, sentindo de uma forma que nunca senti.
Não entendo porque me sinto tão inseguro quando te encontro, é como se precisasse te conquistar a cada dia, numa crise que só eu estou passando, sentindo você cada dia mais longe, sentindo sua mão cada dia mais distante e mais quente.
Cada vez que te abraço, desejo que sua mão esquente em mim, de uma forma que o frio e o quente se completem, e que meu calor se refresque e seu tremor se acalme.
Não entendo, o quente não vive sem frio, é a mesma história da completude, o bom, tem que ter o ruim, e eu, parece-me, que preciso inventar uma história louca para me boicotar de te sentir feliz tentando cada vez ter-me mais perto.
Não te quero longe, mas sei que as vezes é necessário, o perto não existe sem o longe, o quente não existe sem o frio, e a alegria não existe sem a tristeza.
Sim, eu sei que uma sucessão de dias felizes pode enjoar, mas chega, já passei alguns dias tristes, já posso voltar a viver com você todos os outros dias felizes que ainda temos por direito.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

...

E aquele olhar, que antes me mostrava que tudo estava perdido, hoje me entrega o sorriso da confusão de sentir e a dor da decisão de te querer.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crítica

Muitos me diriam que deveria eu voltar a escrever sobre outras coisas, que as pessoas talvez careçam de uma verdade que eu estou guardando para mim. Recuso-me a aceitar esta crítica como real. Se é a verdade que esta em cheque, não posso mentir para mim e fingir que não penso nisso durante todo o desenrolar do dia. Falso eu seria, se quisesse discutir política com os pássaros verdes que voam ao meu redor. Devo mais é falar em poesias, carinhos e flores, pois é isso que me cerca desde então.

Dias incomuns

Continue a brilhar, ó lua, tua penumbra tem inundado minhas noites de forma a torná-las em dia. Apareçam algumas nuvens ou não, parece que o sol não se esconde mais. O vento aqui fora gela a todos, até a mim, mas não cessa a vontade e o desejo que tenho de ver seus olhos e de ter você. O vento pode até me cortar, mas meu corpo, por dentro, queima de um carinho constante, de um gostar insano, de um desejo, de um calor, de você.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pode?

Ao meu lado a vela escorre. Sob a luz semi escura eu tento não pensar, mas é incrível perceber como pode um coração bater, sabendo que logo você volta, mas que neste momento não esta aqui! Já pode apagar a vela pra você voltar?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

hA de sentir

Me perguntei alguns instantes: "Por que só te escrevo quando estou no inferno?"


Não sei te responder com tanta certeza, se é que o céu há de me dar vida, acho que então estou próximo dele.


Não consigo te dizer o que esta a acontecer, o que me dizem ter é borboletas. Não sei que sentido isso te dá, só quero que saiba que a beijei, e só de pensar, sinto gelar novamente.

sábado, 16 de abril de 2011

Será? rs


Um agricultor, sábio e forte, resolveu plantar em sua terra as mais belas e formosas sementes de trigo. Cuidadosamente plantou uma a uma com suas próprias mãos, regou, tirou as pragas com seu suor e, algum tempo depois pode ver aquela longa e vasta plantação brilhar com a luz do sol e movimentar-se sedutoramente com o vento. Encantado com a beleza de sua criação, o agricultor então resolveu não colher os trigos que havia plantado, para não estragar sua visão e ficar apenas com a terra nua. Esqueceu-se do maior princípio, de nada adianta plantar e não colher. Um dia, o trigo amanheceu seco, mas quando isso aconteceu, o forte sábio já havia morrido de fome.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Under Cover of Lightness

E se eu cantasse como canta o som que vem das estrelas, como a luz que brilha entre os véus, como a brisa que passa por entre o meu chapéu?

E se eu iluminasse por entre as matas e as fadas, proferindo palavras doces, derramando o suor das vidas estreladas que brilhavam no chão e adoçavam o dia daqueles que estavam perdidos de emoção?

[ http://www.youtube.com/watch?v=2WBZFqEAfIU ]

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vamos conviver?

Quero mostrar-te o que há de ruim por além desta capa, assim como o que há de bom. Desejo-te de verdade, sem falsas máscaras ou chapéus, te quero como ser real. Por favor, deixe-me conhecer-te assim, não quero achar que encontrei um ser imaginário, isso só me faz sentir herói, e assim, eu vou querer ficar voando.

Conto de fadas

Pense bem, meu bem, encantado seria se um homem continuasse a ser um belo príncipe, o normal é que ele vire sapo.

sábado, 26 de março de 2011

Dor de fim

O dilema gira mais em torno de mim, do que de você! Nunca quis ver a tristeza brotar em seus olhos, e talvez por isso tenha me contorcido tanto na noite que passou, tentando colocar no lugar os pensamentos e os sentimentos, tentando entender o por que do que eu queria fazer e tendo consciência do que eu estaria fazendo. Não causei dor só à você, meu peito também se entristece. Dói saber que não se tem mais alguém a quem se quer bem ao lado. Dói saber que se fez o que devia, livrando a consciência de dor futura, mas causando solidão e desconforto ao coração. Desculpe, eu precisava fazer isso, não conseguiria enganar-me e causar mais dor à você, sem depois me entregar ao triste fim de uma vida desgraçada. Desculpe, eu sei que esta doendo, mas não dói só em você! E antes doer agora, ser de verdade e valioso, do que doer depois por crueldade e falta de respeito...

Histeria

"Mesmo quando ele consegue o que ele quis
Quando tem já não quer
Acha alguma coisa nova na tv
O que não pode ter

Deixa de gostar
Larga a mão do que ele já tem
Passa então a amar
Tudo aquilo que não ganhou"
(Um Par - Los Hermanos)

quinta-feira, 24 de março de 2011

E da ilusão veio a luz.
Foi como se destruissem minha escultura de mármore, eu tive que catar pedaços, migalhas e lascas, e estou aqui com todos, frente a mim, sem sentido algum.
Eu vi a destruição de minha fortaleza, e agora não quero construí-la novamente, uma obra de arte deve ser mantida viva, mas talvez uma ilusão, deva ser mantida destruída, mesmo que a vontade de construí-la novamente seja muito grande.
Eu percebi que nunca te quis por quem é, sempre te planejei outra, sempre planejei alguém que nunca existiu. Você nunca foi você de verdade, e eu nunca te deixei ser, e talvez por isso sempre me estive tão irreal perante você, como quem nunca existiu, pois afinal, era com alguém ilusório que eu convivia.
Te inventei nas minhas crenças, e te quis como nunca desejei ninguém, mas a estatua desfez-se e agora, só me restou as lascas e eu.
Cruel, doído, sim, mas talvez muito mais verdadeiro.
Ainda estou com medo de te encontrar, e talvez este seja um ponto importante.
Te culpei por meus desgostos, e agora, só tenho que culpar a mim, por não acreditar que seria capaz, e por não acreditar que viveria sem você!
Perdi tudo que construí, e agora só me resta meus cacos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Infeliz

E você esta sempre ausente, até que exista uma possibilidade, pequena que seja, de eu ser feliz. Daí você reaparece.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Parece-me que a poesia sumiu,
minhas palavras são confusas a ponto de não fazerem sentido nem para quem as escreve,
talvez eu volte a escrever quando as caixas já estiverem vazias.

Desculpem-me,
não estou conseguindo me encontrar por entre a minha bagunça!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Loucura da sinfonia

Os espelhos refletem meu inverso, meus passos caminham para algum lugar do qual eu não sei mais qual é, meus músculos amoleceram e eu, não tenho mais a rigidez de antes.
Faço-me um balde de sentimentos e quando percebo estou tendo todos aqueles dos quais eu não gosto. Sensações das mais variadas e dores das mais exageradas.
Bizarro? Sim, talvez, para mim tudo isso é preocupante. Quem nunca soube o que é queimar, tem medo de pôr a mão no fogo. Quem nunca soube o que é sentir, tem medo de se deixar existir.
Aquele que só vive deitado, tem medo de levantar a cabeça. Não se sabe se o medo é de perdê-la, de doer, de sangrar, de não gostar ou de não querer abaixá-la nunca mais, mas mesmo assim continua sendo medo.
Aquele que todos os dias faz o mesmo caminho, tem medo de trocá-lo, bater o carro, perder a vida, ou talvez de nunca mais querer voltar a fazer o antigo caminho que antes lhe trouxe tanta alegria.
A vida de quem planeja parece organizada, e é sempre calculada. O que parece, aos olhos dos outros, uma perfeição de combinações que não destoa, como uma boa sinfonia. Mas para quem a toca machuca, corta os dedos, sangra, cria bolhas, caleja, e mesmo assim continua a torná-la sincronizada, sinfônica.
Se parar de tocar, tudo se perde, o medo vem então, com sabor de amargura, com cheiro de enxofre e semblante de vontade. Destoar, solar, sincronizar ou morrer?
O fracasso talvez seja a sensação, o medo soa pior que violino desafinado tocado por um explorador infantil, a vontade é de fugir, mas a raiva de si não lhe permite, e então você quer ficar sozinho, mas o medo te toma outra vez, você deixa-se tomar pela emoção, percebe que ela te persegue, corre para algum esconderijo, pede pra ficar só, e o medo te toma outra vez.
Perder o controle? Não sei, eu não sei o que pode acontecer...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

No jogo dos cisnes eu perdi a direção, me enganei nas minhas crenças, perdi nas minhas conquistas.
Não sei até agora o que é melhor, conquistei muita coisa mas a cada passo, parece que volto três. Estou sem rumo, meu bem, e não sei o que prefiro. Engolir meu corpo ou meu desejo a cada dia, mesmo sabendo que o segundo não se realizará.
É uma tentativa inútil, eu sei, e como sei. Tenho sentido todos os dias, e sofrido por isso.
Não consigo mais caminhar, parece que enrosquei em algum gancho. O problema é saber qual...
Por favor, meus amigos, não me façam perguntas difíceis, e se eu vier a perder meu olhar ao seu lado, baixar minha cabeça e chorar, me sirvam ao menos o seu silêncio, e me façam companhia, por favor, me façam companhia.
Não me deixem sozinho, eu não sei o que pode acontecer... e é disso que tenho medo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E por entre as minhas portas nada familiares, encontrei mais medo do que esperava.
Levar os monstros todos para um cômodo até que pode parecer fácil, porém, caminhar com eles, não é nada do que parece.
Entre tantas opções, minha cabeça não para de girar por entre as maçanetas. Entre todas essas revoluções, meu coração não para de me assustar.
Não tenho todas as chaves, mas ando tentando abrir porta a porta com calma e muita prudência. Mesmo assim, não estou tão confortável como sempre presei.
Entre as dores do partir, todos olham para seus umbigos dizendo o que deveria ou não fazer, mas ninguém para pra me ouvir e ver... Os anos se passaram, eu sinto de verdade, não sou robô, e meu coração pulsa. Os fios de meu cabelo já não são amarelados e o liso virou onda.
As portas vão continuar me cercando, e isso é óbvio, porém talvez eu tenha mais propriedade para abri-las com segurança, com menos temor, e com mais certeza.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Constelação de nada

Naquele vão de céu eu encontrei um olhar que me brilhou diferente.
Entre as nuvens, pude avistar uma constelação de possibilidades, mas o medo de saltar sem asas era tanto, que resolvi esperar os pés na areia encostar para, sem muito vê-la, poder arriscar.
Acabei a noite entre estrelas desconhecidas, sem olhar e sem companhia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ave e peixe II

Aquela ave que antes beijava o mar como o amante que encontra a amada, novamente resolveu mergulhar enquanto do peixe tentava fugir.
Molhou-se por completa e esqueceu que para poder voar, precisa de suas penas secar.
Irônico fugir de um peixe correndo para o mar, mas talvez esta seja a sina, correr para o buraco do qual se tenta fugir.