Os espelhos refletem meu inverso, meus passos caminham para algum lugar do qual eu não sei mais qual é, meus músculos amoleceram e eu, não tenho mais a rigidez de antes.
Faço-me um balde de sentimentos e quando percebo estou tendo todos aqueles dos quais eu não gosto. Sensações das mais variadas e dores das mais exageradas.
Bizarro? Sim, talvez, para mim tudo isso é preocupante. Quem nunca soube o que é queimar, tem medo de pôr a mão no fogo. Quem nunca soube o que é sentir, tem medo de se deixar existir.
Aquele que só vive deitado, tem medo de levantar a cabeça. Não se sabe se o medo é de perdê-la, de doer, de sangrar, de não gostar ou de não querer abaixá-la nunca mais, mas mesmo assim continua sendo medo.
Aquele que todos os dias faz o mesmo caminho, tem medo de trocá-lo, bater o carro, perder a vida, ou talvez de nunca mais querer voltar a fazer o antigo caminho que antes lhe trouxe tanta alegria.
A vida de quem planeja parece organizada, e é sempre calculada. O que parece, aos olhos dos outros, uma perfeição de combinações que não destoa, como uma boa sinfonia. Mas para quem a toca machuca, corta os dedos, sangra, cria bolhas, caleja, e mesmo assim continua a torná-la sincronizada, sinfônica.
Se parar de tocar, tudo se perde, o medo vem então, com sabor de amargura, com cheiro de enxofre e semblante de vontade. Destoar, solar, sincronizar ou morrer?
O fracasso talvez seja a sensação, o medo soa pior que violino desafinado tocado por um explorador infantil, a vontade é de fugir, mas a raiva de si não lhe permite, e então você quer ficar sozinho, mas o medo te toma outra vez, você deixa-se tomar pela emoção, percebe que ela te persegue, corre para algum esconderijo, pede pra ficar só, e o medo te toma outra vez.
Perder o controle? Não sei, eu não sei o que pode acontecer...
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