sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ondulações

Ouço o balanço das ondas
E fico esperando para ver as sinuosas marcas que elas fazem na areia,
A pressa para vê-las é tanta que nem percebo que atravessei a praia olhando fixamente para as curvas que se formavam no horizonte.

"Estou a espera da onda marcada sobre a areia."
Essa é a frase que me vem a cabeça quando penso em porque estar aqui.

Achei esse lugar muito deserto e resolvi enchê-lo de gente enquanto espera as formas das ondas.
Ajoelhei-me e começei a desenhar pegadas na areia;
Nada melhor que encher um lugar com pessoas.

De repente, senti que a onda esperada estava chegando,
preparei-me calorosamente para recebê-la e senti sua fresca água tocar meus pés,
fechei os olhos,
senti o mundo,
e quando os abri, notei que as pegadas que eu havia desenhado não estavam mais ali.

Meus olhos se encheram,
quis gritar,
mas olhei para trás,
e notei que havia um rastro de pegadas que traziam até a mim.
Fechei meus olhos,
presenciei a minha existência.

Peguei minha mão e entrei na água,
fria e agitada,
Não pensei em mais nada
só fechei os olhos na esperança de sentir as bolhas que se formavam pelo movimento da água subirem o meu corpo.

Esperei, esperei
senti frio,
sai da água.

Olhei o sol tocando minhas pegadas,
corri novamente e pulei,
sem esperança nenhuma me joguei,
de olhos bem fechados.

Achei ter sonhado
que bolhas me carregavam mar a dentro,
e só então acordei
acompanhado das sombras que as ondas deixavam
na areia que sustentava meu corpo,
com a água que recostava meu ser,
as bolhas que se fixavam em mim quando com a água
e aquelas pegadas, minhas,
mas ainda existentes na areia.

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