Dura e cortante,
assim é a gélida lâmina da navalha que se passa pela pele.
Uma pele fina, ultra sensível,
totalmente vermelha e frágil.
Ó quão cruel são os olhos que te cortam, coração,
Esperava eu que pontas afiadas os encontrassem.
Mas quão triste seria a vida sem eles,
sem uma sucumbida cor.
Viveria então apenas com a imagem do cheiro ou do gosto
daquilo que um dia foi retrato visto vivo.
A, se pudesse eu,
ter escolhido entre o sim e o não,
sabendo que a vida pela frente me aguardava
com as mãos cortadas.
Não teria eu escolhido passar vontade
De ter você pra mim,
de falar de mim à você,
de fazer joguinho com minhas palavras
e te cortar a armadura com meus olhos.
Antes fosse simples
encostar na lata que vesti
sem me lembrar da dura lâmina
que me enfiava a pele fina vermelha,
e cortava,
dor insana e vívida,
sangrava.
Assim era
o coração misto de ti e mim
num insalubre não saber daquilo que escondia
dos meus olhos,
que com minha própria lâmina
insanamente arranquei.
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