quarta-feira, 28 de abril de 2010

Papel

Já tive a cor dos olhos,
seus, mas minha cor.

Já tive o gosto do perfume,
o cheiro da vontade,
a fragância do vento que passou.

A flor que murchou sem querer,
o vaso que quebrou sem eu ver,
a terra que formou desenhos,
e o barro que virou alguém!

Quero água pra limpar,
mas perder o que sujou é perder alguém que se amou
é viver sem a cor do olho que tem cheiro de verdade
e que traz a cura da saudade...

Ai se conhecesses meu inimigo íntimo.
Dirias a ele para se tornar o mocinho,
pois este papel esta vazio.

Já cancei de puxar as cortinas,
mas não consigo pensar quem o farias,
caso tomasse eu o papel do meu íntimo,
e deixasse de ser meu próprio inimigo
que me trai com a saudade
de um cheiro de verdade
de alguém que é incerta
de uma cor que não existe.

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