segunda-feira, 12 de abril de 2010

Justiça

Vesti minha capa e fui encontrá-los,
passei pelos becos, vales, estrelas, nuvens,
perfurei a lua
e cheguei junto a vocês.

Me encontrei com a força da justiça,
a lealdade da vida,
a amizade do real e irreal.

Fomos chamados pela Vida para uma missão
e eu estufei o peito, agitei minha capa escura,
mostrei meu símbolo,
amarrei minha calça,
e saí voando em busca do ego indefeso.

Vocês me acompanharam, sem nenhum comentário,
e então nos deparamos com um beco,
fundo, escuro, cercado por dois prédios abandonados,
com as janelas interditadas a madeiras.
As paredes estavam pichadas de histórias metafóricas,
e vocês estavam olhando para mim,
lá do alto do prédio,
e me disseram:
"Nós estamos aqui, não acontecerá nada"

Me irritei por não terem decido ali,
e quando eu gritava, vocês respondiam com convicção:
"Esta missão é sua"

Em minha frente havia o contorno de uma pessoa,
coberto com um pano preto e imóvel.

Com cautela, retirei o pano
pensando no poder que usaria,
e quando baixou o pó,
me vi refletido no espelho.

Meus olhos, boca, cabelo...
Capa no chão,
máscara desfeita,
e o indefeso.

Acabou a armação,
agora sou eu e eu,
sem poderes,
sem armas sem dilhas...

Apenas eu...

Quando achei ter visto a criptonita,
vocês se aproximaram,
mas não aterrisaram.

Eu somente abaixei
admirei
e peguei uma pedra
mesmo sabendo quem era o vilão.

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