Ainda que eu quisesse cair nas águas para me banhar não poderia, eu como pássaro, vivo no ar, e posso até me banhar, mas não sobreviveria.
Você, peixe, pode me enfeitiçar e, caso eu, tolo, venha a cair novamente em suas astúcias, sentirei falta de ar, ao tentar quebrar as moléculas da água para sobreviver.
Ainda que eu queira muito te ter apenas para mim, sei que você é de água, e vai vazar entre meus dedos, mais composto do que isso, impossível, mais sem forma do que isso, irreal.
O vento é muito frio sem te sentir, porém, você não sobreviveria apenas com o ar, eu até que poderia me banhar várias vezes, mas estaria sacaniando contigo, assim como vem a fazer comigo, porém como pobre mortal, eu me recuso a te retirar da água e te fazer sofrer, mesmo devendo fazê-lo.
Continuarei a planar pelas colinas, para ver se encontro alguma ave que queira ao meu lado estar, cansei de molhar minhas penas, apenas, e não me alimentar se quer de um pedaço de suas escamas.
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