sábado, 9 de outubro de 2010

Pensando em fazer alguma coisa

Eu sai na rua em busca da sombra da lua,
caminhei, velejei, naveguei, corri e por fim, sentei-me;
sentei-me por estar cansado, desapontado por não tê-la achado e irritado pela minha insistência que não teve êxito.
Senti que nada mais adiantaria se não apenas ficar sentado, esperando que um outro dia a lua aparecesse e me mostrasse sua companheira.
Adormeci ali, olhando o horizonte negro e sem vida, sentindo a brisa que vinha do além.
Triste, pus-me a chorar em sonho, e acordei com os olhos molhados,
vendo que o vento havia trazido para mim um objeto de valor profundo, incomparável, um que eu já conhecia, mas que há anos tentara esquecer pois este nada havia me mostrado de bom.
Peguei-o e percebi que ele me fazia lembrar histórias "cruéis",
em que o mocinho era eu, e o bruxo também.
Recordei-me dos feitiços que eu mesmo me joguei, e notei como meu corpo havia mudado.
Lembrei que as pedras eu havia escondido e que este saco, estava guardado atrás da minha porta.
Olhei para um céu sem lua, como o de hoje, e tentei encontrar alguém,
sem sentido, pus-me a chorar novamente e não encontrei nenhum abrigo.
Por fim começou a chover e eu pensei em correr para algum lugar,
pensei várias vezes, mas, teria que deixar aquele objeto ali, ficando sem a companhia dele, e então teria que encontrar o saco de pedras que eu lembrei ter escondido e agora não conseguiria passar sem notá-lo todos os dias.
Fechei meus olhos, e escolhi ficar na chuva...
Sem lua, sem sombra, exposto, mas sentindo.

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