quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mudança

Antes tivesse passado, eu, pelas portas que haviam me mostrado a direção que levaria a uma vida digna de glória. Antes tivesse, eu, passado pelas frestas da escura lacuna que me afasta da realidade de um ser supremo e que me leva para mais longe, cada vez mais, de uma verdade invalorosa e ingloriável.
Antes tivesse, a crueldade da beleza que distorce a sinceridade da clareza que tem seus olhos melosos, mas que passaram a ser fiéis e cruéis, frios contra a doce ternura de uma vida discordiosa.
Antes fosse simples encontrar a pureza da nuvem que me chega todos os dias, e me envolve com a singeleza do azul celestial, e a humildade de um raio que engrandece o dia.
Antes me jogasse às frias estacas que a lua arremessa contra minha certeza, e deitasse-me sobre as molhadas gotas do orvalho que escorre entre as minhas grandes fraquezas.
Antes quisesse ter a vida da morte que abri mão, e hoje não quero nem de coração. Antes olhasse para trás sem prestar atenção e quisesse que tudo mudasse então.
Antes seria em vão,
antes não teria a visão,
uma presença em forma, que ilumina as janelas formosas de um país diferente, clareando as curvas das ruas sinuosas, sombreando as pedras do piso maltrapilho e a beleza da vida que agora me espera para um novo partilho.

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