E nesse desejo inconstante de desejar, me vejo caminhando incessantemente, de um lado para o outro, esperando que o sapato gaste e que eu então não consiga mais andar.
Me vejo perdido nas ruas, em busca dos pelos que arranquei e lancei ao vento; perdido, em busca de detalhes, meros, esquecidos, de pedaços retalhos de expressões sutis. Em busca de um eu estranho que já se foi há tempos, e que hoje me pede pra voltar.
Caminho na contra mão do sentir, buscando petrificar a sensação do bem estar eterno, da felicidade inacabável, da constância inabalável, do sorriso mantido, do cabelo desarrumado, do olhar fixo e do beijo findado.
Fico inquieto...
Me pego entrelaçando os dedos, não como uma prece, mas como uma tentativa de arrancar de mim, através da pele do dedo, aquilo que eu não queria desejar.
Me encontro arranhado de mim, com as minhas próprias unhas, machucado, não por desejar sofrer, mas por dor mesmo.
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