sábado, 30 de janeiro de 2010

Bilhete

Ontem te vi andando,
Você parecia diferente e algo nos aguçava o olhar.
Não era o fato de estarmos em uma estação de trem
E sim de que o relógio dela não chamava mais atenção que seu sorriso.
Esperamos o tocar das badaladas do imenso relógio
E lá estava você, esperando para ouví-lo.
Foi sua fábrica quem o produziu, e talvez isso te levasse até lá,
Pelo menos era o que acreditavam todos.
De repente você saiu correndo sobre o grande chão de mármore
e só conseguiamos ver seu reflexo passando por entre a multidão,
Até que o observamos parado frente a bilheteria.
Encantados com seu retorno, você trazia
em uma mão, algo que estava amassado,
e na outra, dois ponteiros de um relógio.
Não te perguntamos o por que, mas fomos com você até o trem
Você estava com algum receio para entrar, e pensamos até mesmo em te pedir para não subir
Mas quando consegui ver seus olhos,
Sem nenhuma dúvida, não havia outra palavra a não ser: Suba
Você pensou, olhou para os ponteiros,
Notou o relógio vazio da estação,
E rapidamente entrou no trem...
Sua cadeira estava lá, separada na janela,
sentou-se, olhou ao redor,
Seus olhos brilharam como nunca e nós sorrimos.
O trem fumaceou o espaço,
você sorriu.
E então,
O relógio que para muitos estava parado, voltou a funcionar,
Agora todos podiam ouvir suas novas badaladas.
O trem apitou,
você mostrou o bilhete amarelo que escondia na mão
E nós, que nunca perdemos o som do velho relógio
Nos levantamos e aplaudimos em pé
O engrenado que na verdade nunca parou,
e que agora possuia belos novos ponteiros...

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