segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Santeiro

Maldita seja,
sagrada crueldade,
antes que venha tarde,
a pregada igualdade da desigualdade.

Cantem, cantem bem alto e graciosamente,
imitem os tambores que anunciam a derrota da vida.

Fechem os portões,
os sujos pedem abrigo.
Suas feridas jorram palavras,
que como fel
corroem seus falsos âmagos.

Ó povo regularizado
que fala sobre as grades,
engulam seus santos votos afiados,
afinem seus coros de ceiar discórdia,
antes que cedo venha o riso que te agrada a dor.

Sintam compaixão própria,
vocês não precisam disso,
seu azeite já derramou há tempos,
e agora,
é hora de plantar no oliveiral.

Plantem outras coisas santas,
que não sejam perfuradas,
nem enforcadas,
mas que firam claramente.

A hemorragia interna leva à morte,
e escolher curar-se da morte
já é um arbítrio digno.

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